sábado, 17 de agosto de 2019

Peter Fonda, ator de 'Easy rider', morre ao 79 anos

 O ator Peter Fonda em 2016 — Foto: AP

Peter Fonda em 'Easy rider' 
Foto: Divulgação

Publicado originalmente no site G1, em 16 de agosto de 2019

Peter Fonda, ator de 'Easy rider', morre ao 79 anos

Ator ficou conhecido pelo filme de 1969, com título em português 'Sem destino', pelo qual foi indicado ao Oscar de roteiro. Ele também concorreu por atuação em 'O ouro de Ulisses' (1997).

Por G1

O ator Peter Fonda, que ficou famoso pelo filme "Easy rider" (título traduzido no Brasil para "Sem destino"), morreu nesta sexta-feira (16) aos 79 anos.

Segundo a revista "People", ele tinha câncer de pulmão e teve insuficiência pulmonar.

A família enviou um comunicado à "People": "É com profundo pesar que compartilhamos esta notícia. Peter morreu pacificamente na manhã desta sexta-feira, 16 de agosto, às 11h05, em sua casa em Los Angeles, cercado por sua família".

"É um dos momentos mais tristes das nossas vidas, nós não conseguimos encontrar as palavras para expressar a dor nos nossos corações", comunicou a família.

"Enquanto lamentamos a perda deste doce e gracioso homem, também desejamos que todos celebrem seu espírito indomável e amor pela vida. Em homenagem a Peter, por favor façam um brinde à liberdade", disse a família Fonda.

Peter nasceu em Nova York e fazia parte de uma família de atores - era filho de Henry Fonda e irmão de Jane Fonda.

Ele começou a carreira na Broadway, no começo dos anos 1960. Os elogios e prêmios o levaram ao cinema.

Em 1963, estrelou seu primeiro filme, a comédia romântica "Artimanhas do Amor". No mesmo ano, também fez parte do elenco de "Os Vitoriosos", drama sobre a Segunda Guerra Mundial.

'Easy rider'

O filme que impulsionou sua carreira, "Easy rider", teve também sua participação no roteiro e produção, além de atuação.

"Easy rider" foi um marco na contracultura do final dos anos 1960, e também teve no elenco Dennis Hopper e Jack Nicholson, que concorreu a melhor ator coadjuvante no Oscar. A trilha sonora tinha a clássica "Born to be wild", da banda Stephenwolf.

A filmografia de Fonda tem ainda filmes mais recentes como "Os indomáveis" (2007), "Motoqueiro Fantasma" (2007) e "Fuga de Los Angeles" (1996).

Duas indicações ao Oscar

Peter Fonda concorreu ao Oscar pelo roteiro de "Easy rider". Mais tarde, ele também foi indicado pela atuação no filme "O ouro de Ulisses", de 1997.

Ele ganhou o Globo de Ouro pela atuação em "O ouro de Ulisses" e também por pela minissérie "The passion of Ayn Rand", em 2000.

Peter deixa dois filhos: Justin Fonda e a atriz Bridget Fonda.

Filmes a serem lançados

Ele deixa filmes a serem lançados nos próximos meses, como o drama de guerra "The Last Full Measure". Previsto para outubro, ele tem Samuel L. Jackson, Christopher Plummer, Ed Harris e William Hurt.

Com lançamento marcado para julho de 2020, "Skate God" é uma fição científica sobre um skatista que descobre ser descendente de um Deus grego em um futuro distópico.

Texto e imagens reproduzidos do site: g1.globo.com

domingo, 28 de julho de 2019

Registro de artigo publicado em: 10 de julho de 2008






REGISTRO DE ARTIGO PUBLICADO EM > 10 de julho de 2008

Texto publicado originalmente no site do Portal Infonet, em 10/07/2008

Arquivo de Ivan Valença é tema de curta-metragem

Filme foi todo gravado no quarto em que Ivan guarda o arquivo com mais de 50 mil envelopes

Será lançado logo mais às 20h no Cinemark o curta ‘O Arquivo de Ivan’. Os personagens centrais da obra realizada por Fábio Rogério Rezende são o cinéfilo e jornalista Ivan Valença e seu arquivo sobre filmes, que já tem mais de 50 anos. O diretor do filme tentou traduzir na tela a relação que Ivan tem com todo esse material de cerca de 50 mil envelopes catalogados por ordem alfabética e que trazem recortes sobre obras cinematográficas.

“A obra é aberta e com isso não pretendo que o espectador chegue a nenhuma conclusão pré-definida. Quem assistir ao filme terá sua própria conclusão, cada um poderá tirar suas próprias idéias”, explica Rogério. ‘O Arquivo de Ivan’, foi gravado no quarto onde o cinéfilo guarda seus recortes e tem duração de 15 minutos.

Ivan conta que começou a catalogar informações sobre filmes aos 10 anos e não parou mais. No entanto, sua paixão pelo cinema data de muito antes e teve por influência a mãe, de quem herdou a paixão pela sétima arte. Sobre a experiência de estar à frente das câmeras, ele comenta: “não gosto de ser ator, gosto de assistir filme”. Ele juntamente com aqueles que comparecerem logo mais à noite no Cinemark poderão conferir em primeira mão o lançamento do curta.

Além de ‘O Arquivo de Ivan’, serão exibidos na noite de hoje outros quatro curtas contemplados pelo Edital 01 de 2007 de fomento ao audiovisual do programa Aracaju + Cultura, são eles: ‘Areia Branca’, de Júlia Fernandes Marques; ‘O Retorno do Submarino Alemão’ de Rubens Araújo de Carvalho; ‘Sensacional’, de Deborah Simão Gomes Fernandes e ‘Você Conhece Laconga?’, de Sérgio Borges.

Texto reproduzido do site: infonet.com.br

Filme: "O Último Samurai" (2003), de Edward Zwick
















sexta-feira, 26 de julho de 2019

A famosa cruzada de pernas de Sharon Stone em ‘Instinto Selvagem’

A famosa cruzada de pernas de Sharon Stone
 em ‘Instinto Selvagem’.

Publicado originalmente no site do jornal El País Brasil, em 20 de março de 2017

25 anos depois, alguém mente sobre a cruzada de pernas de ‘Instinto Selvagem’

O diretor do filme, Paul Verhoeven, e Sharon Stone acusam um ao outro de mentir sobre os meandros da cena

Por Juan Sanguino 

Lá se vão 25 anos, e alguns ainda não se recuperaram. A cruzada (ou, tecnicamente, descruzada) de pernas que fez o mundo prender a respiração não envelheceu nada. A suspeita de assassinato Catherine Trammell (interpretada por uma Sharon Stone de 34 anos) se submete a um interrogatório, mas é ela que acaba submetendo os policiais. O rato e o gato nunca estiveram tanto no cio. É Catherine a única que tem prazer com a situação.

Ela e milhões de espectadores: Instinto Selvagem (Paul Verhoeven, 1992) ficou em quarto lugar entre os longas de maior bilheteria naquele ano (estreou em março de 1992 nos EUA) e o de maior sucesso na história da Espanha por um tempo (estreou em agosto de 1992). O sexo (e a vontade de tê-lo) corrompe cada plano até quase derreter o celuloide de um filme que se transformou num clássico instantâneo. E tudo porque muitos adolescentes (e alguns pais) queimaram o vídeo rebobinando e pausando a cena em questão. Vinte e cinco anos depois, ainda existe um mistério, mais interessante e menos mortal, sem resolver. O diretor tinha o consentimento da atriz para retratá-la com aquele ângulo para a posteridade?

“Ele [o diretor] me disse que não daria para ver nada. Então tirei a calcinha e a coloquei no bolso da camisa”, diz Sharon Stone.

O detetive viciado em risco (e em muito mais) Nick Curran, interpretado por Michael Douglas, sabe que Catherine Trammell não usa calcinha. Observou-a enquanto se vestia na cena anterior e comprovou que, para Trammell, roupa interior é coisa de perdedoras. O público também sabe e assiste ao interrogatório de boca aberta. Ela se atreverá a descruzar as pernas para aturdir os machos da manada? Claro que sim. Catherine Trammell não chegou aonde chegou sendo tímida.

Existem duas versões sobre como ocorreu a famosa cena. Segundo o diretor do filme, Paul Verhoeven, Stone sabia perfeitamente o que estava fazendo e se mostrou encantada com a situação perversa. Segundo a atriz, o diretor a usou. “Quando gravamos, seria uma insinuação”, afirma Stone, “mas [Verhoeven] me disse: ‘Se der para ver o branco da sua roupa interior, preciso que a tire’. Ele me disse que não daria para ver nada. Então tirei a calcinha e a coloquei no bolso da camisa.”

Até aqui, ambas as versões da história coincidem. O conflito surge quando, terminada a gravação, os dois analisaram o plano em questão. “Naquela época, não existia alta definição”, prossegue a atriz. “Então, quando olhei no monitor, realmente não dava para ver nada.” Tudo mudou quando Stone, sua equipe e o mundo inteiro viram o filme numa tela de cinema de vários metros quadrados.

“Fiquei em estado de choque”, diz a atriz. “No final do filme eu me levantei, me aproximei de Paul Verhoeven e lhe dei uma bofetada.” Ela reconhece que o plano é adequado para o longa e para a personagem. E que, se tivesse sido a diretora, teria mantido na montagem final. “Mas teria tido a cortesia de mostrá-lo à intérprete”, afirma.

“Fiquei em estado de choque”, diz a atriz. “No final do filme, me levantei, me aproximei de Paul Verhoeven e lhe dei uma bofetada.”

Alguém mente, e segundo Paul Verhoeven não é ele. O diretor holandês conta que Stone tentou de todo jeito eliminar o plano entre suas pernas. Verhoeven lhe respondeu que já era tarde. “Sharon mente”, diz ele a ICON. “Qualquer atriz sabe o que será visto se você lhe pedir que tire a roupa interior e apontar a câmera nessa direção. Ela inclusive me deu a sua [calcinha] de presente. Quando Sharon viu o resultado da cena no monitor, não teve nenhum problema. Acho que isso tem a ver com o fato de que o diretor de fotografia [Jan De Bont, que depois dirigiria Velocidade Máxima e Tornado] e eu somos holandeses, de modo que atuamos com total normalidade ante a nudez. E Sharon se deixou levar por essa atitude relaxada. Mas, quando viu a cena rodeada por outras pessoas [americanas], incluindo seu agente, ficou louca. Todos lhe disseram que a cena acabaria com a sua carreira, então Sharon veio e me pediu que a cortasse. Eu disse que não. ‘Você aceitou, e te mostrei o resultado’, eu lhe disse, e ela me respondeu. ‘Vai se ferrar’. Mas Sharon não vai contar isso para você, com certeza não.”

A lenda em torno da gravação de Instinto Selvagem daria para outro thriller, e com bastantes cenas eróticas também, pois o roteirista Joe Eszterhas contou que tinha dormido com Sharon Stone para comemorar o sucesso do filme. Várias associações LGBT tentaram boicotar a rodagem devido à imagem negativa que o filme dava às mulheres bissexuais, e Michael Douglas se negou durante meses a contratar Stone por considerá-la “uma atriz de segunda”.

Mas o diretor sempre acreditou nela. Quando as atrizes de primeira grandeza (Julia Roberts, Michelle Pfeiffer) liam o roteiro, perguntavam se rodaria as cenas de sexo e violência tal como estavam escritas. “Não”, respondia Verhoeven. “Serão ainda mais fortes.” Sharon não tinha essas inibições, e acabava de posar nua para a Playboy na tentativa de reativar sua carreira. E claro que reativou. Vinte e cinco anos depois, Instinto Selvagem continua sendo o único filme que te dá vontade de fumar um cigarro ao acabar.

O roteirista, Joe Eszterhas, que não escreveu a cena do interrogatório porque foi ideia de Verhoeven, lamenta esse legado. “Quando você tem [no currículo] um dos planos eróticos mais famosos do mundo do cinema, eclipsa o filme, que é um tenso e psicológico filme negro moderno”, diz. A sequência foi objeto de culto, tanto entre sessões clandestinas quando os pais estavam fora de casa como entre paródias. Na última destas, o comediante James Corden tenta seduzir um já idoso Michael Douglas, conseguindo um efeito diferente do de Catherine Trammell.

Resta um mistério no ar, talvez o mais complexo de todos. Quem é Sharon Stone? Uma predadora sexual disposta a tudo? Ou uma vítima ingênua de um velho tarado? Provavelmente as duas coisas, e ao mesmo tempo nenhuma. Sharon Stone é o que tem que ser. Catherine Trammell transformou em mito a atriz que lhe deu rosto, corpo e púbis, mas a acabou condenando. Rita Hayworth lamentava que os homens iam para a cama com Gilda (sua personagem mais icônica), mas acordavam decepcionados com ela.

Stone sofreu uma sentença similar: passar à história, mas à custa de que ninguém se lembre dela como atriz, e sim como Catherine Trammell. Uma mulher encurralada que iniciou a moda das personagens femininas perversas que não se desculpavam por curtir o sexo. Demi Moore fez uma carreira inteira graças a essa moda. Nos loucos anos noventa, a revolução cultural foi feita sem roupa interior, e Sharon Stone teve a audácia de ser a primeira a tirar a sua.

“Sharon Stone mente”, diz Paul Verhoeven a ICON. “Quando ela viu o resultado da cena no monitor, não teve nenhum problema.”

“Ninguém mais poderia ter feito esse trabalho”, reconhece Verhoeven. E completa: “Ela pode ser muito cruel e muito encantadora, e é capaz de mudar o olhar de um estado para outro num segundo. Sharon Stone é assim. Ela é Catherine Trammell, mas sem picador de gelo.

Tudo indica que esse mistério, transformado em mito da cultura pop, jamais será resolvido. Naquela sala só estavam Stone, Verhoeven e De Bont, porque a atriz pediu que gravassem a cena no final do dia e diante de ninguém mais. O relaxamento que conseguiu graças a essa intimidade voltou-se contra ela, mas também a transformou no mito erótico oficial dos anos noventa: toda uma geração de adolescentes viraram homens de repente após ver Instinto Selvagem.

Texto e imagem reproduzidos do site: brasil.elpais.com

Filme: "Além da Linha Vermelha" (1998), de Terrence Malick