sábado, 20 de maio de 2017

Randolph Scott


Publicada originalmente no Jornal do Dia, em 10/02/2015.

Randolph Scott.
Por Vieira Neto*

"Morreu Randolph Scott". A manchete estampada em jornais e revistas de quase todos os países, pegou muita gente de surpresa. Afastado há anos das telas de cinema, Scott, para grande parte dos fãs já estava morto.

Nascido a 23 de janeiro de 1903, no estado da Virgínia (EUA), Randolph Crane - nome verdadeiro do ator - nunca teve problemas financeiros. Filho de pais ricos, estudou engenharia na Universidade de Carolina do Norte. Anos depois, incorporou-se ao teatro Pasadena  Playhose, na Califórnia, de onde saiu com o auxílio de Howard Hughes, para as telas de Hollywood.

Entre 1950 e 53, Randolph Scott, atingindo o auge do sucesso, tornou-se um dos mais requisitados galãs do cinema americano, fato que lhe permitiu reduplicar a fortuna herdada dos pais.

Alto - tinha dois metros de altura - e dono de um rosto de traços bem marcados, o ator trabalhou em inúmeros westerns, destacando-se "Jesse James ",  "O último dos moicanos"  e  "Santa Fé". Atuou também em musicais como "Roberta", com Fred Asater Astaire e Cinger Rogers, e comédias como "Minha Esposa Favorita", com Irene Dunne e Cary Grant, com quem viria a manter anos depois, uma relação homoafetiva que a todos surpreendeu. Em 1962, despediu-se do cinema no excelente "Pistoleiros ao entardecer", de San Packipah.

Quanto à sua vida sentimental, pode -se dizer que foi relativamente calma. Antes de se unir ao ator Cary Grant, casou-se com Mariana Sommerville Dupont. Da rica família das industrias Dupont. Após o divórcio, casou-se em 1944, pela segunda vez, com a ex-atriz Patrícia Stilman, que lhe deu dois filhos: Cristopher e Sandra. Separando-se de Patrícia, ele foi viver com o ator Cary Grant. E ,como nos contos de fadas, foram felizes para sempre.

Avesso à publicidade, Scott declarou um ano antes de se aposentar, o que pensava da fama obtida no cinema: "Sempre recordo o que dizia o produtor David Belasco, que acreditava que astros e estrelas não deveriam se deixar ver em público a menos que fossem pagos para isso. Para mim, a afirmação de Belasco faz sentido.

Vale lembrar que a estrela mais fascinante e enigmática da indústria cinematográfica foi, sem dúvida alguma, Greta Garbo e por uma razão muito simples: ela se mantinha afastada do público. Assim, cada espectador tinha sua própria ideia do que ela era realmente. Fácil imaginar que, caso seus fás conhecessem esse pensamento de Randolph Scott, jamais encarariam com perplexidade a pacata morte ao entardecer, do "Pistoleiro" que era um "gigante" com os seus dois metros de altura.

* Resumo do capítulo 96 do meu livro inédito "101 ícones do cinema que nunca sairão de Cena.

Texto e imagem reproduzidos do site: jornaldodiase.com.br

sábado, 22 de abril de 2017

Cinemas de Aracaju, por José Augusto Silva Prudente

Imagem reproduzida do blog aracajuantigga.blogspot.com.br
e postada por Cinemateca da Saudade, para ilustrar o presente artigo.

Publicado originalmente no blog JASPRUDENTE, em 13 de abril de 2015.

Cinemas de Aracaju.
Por José Augusto Silva Prudente.

Sou do tempo em que os cinemas, ou salas de projeção, eram desprovidos de qualquer conforto. Nada de tapetes felpudos, ar-condicionado, poltronas acolchoadas e coisas que tais. Baleiros (garotos que circulavam pelas filas de poltronas com cestos de balas pendurados no pescoço) compunham a cena.
Não alcancei o tempo do cinema mudo. Contam meus ancestrais que na época deles os palcos ou ribaltas tinham um piano e uma bateria, onde acordes e batidas eram tocados ao vivo, sincronizados com as cenas dos filmes, conferindo um ar de emoção e realismo que se integravam ao filme. A primeira grande transformação havida foi o advento do  cinema sonoro. Vieram a seguir as evoluções técnicas dos    sistemas de som e de projeção, com o advento do Cinemascope e do Vista-Vision, telas de grandes formatos e experiências de  terceira-dimensão, que até hoje não conseguiram se popularizar, nem mesmo nas TVs.

Logo, os cinemas se tornaram grandes referências das principais cidades, comparáveis a palácios e monumentos, e passaram a ser pontos altos do convívio social. Lembro que, antes que Aracaju tivesse um cinema moderno, a pequenina Penedo, próxima à Neopolis, tinha um cinema com ar-condicionado, tapetes que afundavam sob nossos pés e poltronas acolchoadas.

Nessa época, Aracaju teve cinemas bastante frequentados como o Rio Branco na rua João Pessoa, de longe o mais marcante e famoso. De propriedade do Sr. Juca Barreto, era a mais perfeita expressão do termo cine-teatro. Tinha boa programação cultural, tendo ali se apresentado consagradas companhias teatrais, entre elas a de Procópio Ferreira, assim como expoentes da música como Bidu Sayão, orquestras como Silvio Mazuca e Caribean Steel Band, cantores como Nelson Gonçalves e Angela Maria, entre outros. Diga-se de passagem que Aracaju não tinha naquela época nenhum teatro.

O cine Vitória na rua Itabaianinha era o maior, com mais de mil lugares. O cine Rex, também na mesma rua, foi o primeiro a sucumbir aos novos tempos. Tinha também programação cultural mas não conseguiu resistir à concorrência. Finalmente, houve o cine Aracaju na rua laranjeiras, de cadeiras acolchoadas mas sem ar condicionado. Havia alguns cinemas fora da zona comercial: o Guarani  na rua de Estância tinha um público fiel de garotos amantes de filmes de faroeste e seriados que passavam capítulos novos a cada semana; o Tupi na rua Simão Dias e o São Franscico na colina do Sto.Antonio. O bairro Siqueira Campos teve o cine Plaza, cujas instalações viraram uma igreja evangélica.

Nas celebrações do primeiro centenário de Aracaju, em 1955, a cidade ganhou seu melhor cinema, o cine Palace no início da rua João Pessoa, que conservou o título até quando foi fechado. O cine Palace tinha um excelente ar-condicionado e no início muitas pessoas vestiam agasalhos para se protegerem do frio. Os adolescentes das décadas de 60-70 tinham o Palace como presença obrigatória dos seus circuitos sociais, que incluíam o passeio no parque dos alunos do internato do Jackson Figueiredo, a missa dominical na Catedral, a primeira sessão do Palace sempre precedida de uma agradabilíssima seleção musical de grandes orquestras, a matinê dançante da Associação Atlética, e finalmente o "footing" na Praça Fausto Cardoso e rua João Pessoa, com direito a paquera, som de retreta, visualização das vitrines e neons das lojas, tudo isso até as 22 horas, quando as moçoilas já se recolhiam e os marmanjos mais atirados rumavam para outras paragens menos familiares. Tudo isto foi ficando enterrado na poeira do tempo, de onde só ressurgem nas memórias teimosas de saudosistas como eu.

Texto reproduzido do blog: jasprudente.blogspot.com.br

quinta-feira, 23 de março de 2017

Breves Lembranças dos Cinemas em Simão Dias. (Sergipe)




Publicado originalmente no Facebook/Carlos Alberto Déda, em 22/03/2017.

Breves Lembranças dos Cinemas em Simão Dias.
Por Carlos Alberto Déda*

Dia desses fui indagado pelo professor e pesquisador conterrâneo Jorge Bastos sobre o cinema de nossa terra. Gostei da indagação porque sempre fui fã da conhecida sétima arte. Frequentei com assiduidade o Cine Ypiranga e o Cine Brasil em minha terra natal e, também, os das cidades em que morei: em Aracaju (os cinemas Rex, Rio Branco, Vitória e Palace), em Salvador (o Guarani, o Excelsior e o Capri) e em Jequié (o Cine Auditório e o Cine Jequié).

Ultimamente assisto aos filmes na televisão ou no computador. E o bom filme, o que acho supimpa, eu costumo ver repetidas vezes, como é o caso dos dirigidos pelos geniais Fellini e John Ford. E quando faço isto, minha paciente Leninha indaga: - Quer decorar?

Tenho boas recordações dos cinemas de minha terra e algumas delas eu relembro aqui para os amigos.

Contava meu saudoso pai que quando o cinema teve início em nossa cidade, as fitas eram projetadas manualmente, em locais improvisados, e que as pessoas interessadas, além de pagar o ingresso, tinham que levar suas próprias cadeiras para assistirem às fitas confortavelmente sentadas.

Naquele tempo predominavam as apresentações teatrais. Em 1918, foi inaugurado o Theatro Sylvio Romero, na Rua do Espinheiro, construído pelo o Cel. Felisberto Prata. Em 1921, aquela casa de espetáculos foi adaptada à projeção de filmes e passou a ser chamada de “Cine-Theatro Sylvio Romero”. Em 1923, sob a liderança de Arivaldo Prata (filho do Cel. Felisberto), surgiu o jornalzinho Cine-Jornal, que trazia logo abaixo do seu título a importante informação: “Folha de interesses locais e destinada a propaganda cinematográfica, editada pelo Cine-Theatro Sylvio Romero”.

Na década de 30, a aparelhagem do cinema foi vendida e surgiu na cidade o Cine Elite, que durou poucos anos.

O jornal “A Luta”, de Emílio Rocha, publicou várias notícias sobre o cinema em nossa terra.
Em 1943 o Sr. Pierre Freitas adquiriu nova aparelhagem e o prédio do Cine Theatro Sylvio Romero, então mudou o nome para Cine Teatro Ypiranga.

Dez anos depois, em 1953, foi inaugurado um novo cinema na cidade, construído pelo Sr. Durval Conceição, com o nome de Cine Brasil.

Posteriormente o Cine Brasil foi vendido ao Sr. Antônio Resende; e o Cine Ypiranga vendido ao Sr. Edinho de Lagarto. Com o passar dos anos e diante da concorrência da televisão, os cinemas fecharam.

Hoje temos apenas boas recordações daquelas casas de espetáculos. Aqui mesmo, já fiz relatos de minha presença no Cine Ypiranga, vendendo gibis, editados pela “Rio Gráfica Editora”, que meu irmão Carlos representava em Simão Dias.

Ao falar sobre os cinemas de nossa terra, o principal fato que me vem à mente é o desabamento da “geral” do Cine Ypiranga. Em nossa terra, denominava-se “GERAL” a parte superior do cinema, com bancos desconfortáveis, e que se cobrava um valor menor pelo ingresso; era o local preferido pelos que tinham o hábito de soltar gases mal cheirosos e sonoros, ou seja, peidos fedorentos e estrondosos.

Em uma noite de sábado, dia de feira na cidade, em 1961, o cinema estava lotado. Era exibido o filme brasileiro “A morte comanda o cangaço”. A fita mostrava uma luta sangrenta patrocinada pelos cangaceiros. Tiros, fumaça das armas, barulheira da artilharia dos jagunços e a plateia atenta, vibrando de emoção. Envolvidos no alvoroço da filmagem, os espectadores não notaram, de imediato, o estranho ruído e a fina poeira que desprendia da “Geral”.

Pois bem. Assim que perceberam que o som e a poeira não correspondiam aos efeitos especiais do filme, mas era o sinal de que a “geral” estava desabando, aí a plateia iniciou uma louca debandada no escuro, procurando saídas pelos fundos, por traz da tela, em direção à Rua dos Pinicos (era assim mesmo que era conhecida a rua que passava por trás do cinema).

Os que estavam nas filas próximas à entrada, seguiram a liderança de Dr. Fraga e Seu Manequinha, que eram pessoas bem conhecidas e admiradas na cidade. Eram corpulentos, então, diante do pânico, meteram as barrigas na grande porta da frente, quebrando os ferrolhos, escancarando-as em bandas, para dar passagem aos aflitos seguidores. O tumulto foi grande, mas, felizmente, não houve vítimas. Muitos perderam sapatos, chinelas e até chapéu, no entanto, nunca perderam o bom humor ao comentar a cena, sempre caprichando em satirizar o que se passou com cada um, sem esquecerem, ao final, mencionar a frase que se tornou frequente naqueles dias: “A morte comandou o cangaço, mas não comandou o Cine Ypiranga”.

Lembro-me, agora, de outro fato que aconteceu no Cine Brasil e me foi contado por uma pessoa que admiro muito e que se viu em uma verdadeira “saia justa”. Certa noite o amigo foi ao cinema com sua mulher. Antes de iniciar o filme, foi projetado um documentário sobre uma tribo de índios no Xingu. A fita exibia indígenas nus, com as intimidades expostas. O recatado casal não gostou do que via e tentou sair discretamente. Quando se aproximavam da saída, foram abordados por seu Antônio, proprietário do cinema, que exclamou em voz alta, mencionando o apelido do amigo, para que todos ouvissem:

- “Meu amigo (...) se eu soubesse que nesta fita apareciam índios nus eu não permitiria a projeção...”.

Surpreendidos pela quebra de privacidade da cautelosa saída, o envergonhado casal esgueirou-se porta a fora, ouvindo as gargalhadas e os gritos dos espectadores em consequência da espalhafatosa declaração do dono do cinema.

*Aracaju, 22/03/2017 - Beto Déda.

Texto e imagens reproduzidos do Facebook/Carlos Alberto Déda.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

O Memorial do Rio Branco

Cine Rio Branco - Rua João Pessoa - Atual Lojas Ipanema.
MELINS, Murillo. Aracaju romântica que vi e vivi. 
Anos 40 e 50. 3ed. Aracaju: Unit, 2007.
Foto publicada pelo blog Cinaemateca da Saudade,
 para ilustração do presente artigo.
Imagem reproduzida do blog:  aracajuantigga.blogspot.com.br

Publicado no site Osmário Santos,  em 24/11/2003.

O Memorial do Rio Branco.
Por Luiz Antonio Barreto.

No dia 4 de abril de 2004 o múltiplo espaço cultural de Aracaju, o Cine – Teatro Rio Branco, completa 100 anos de uma das mais ricas histórias sergipanas. Aracaju sempre quis ter um teatro e as autoridades da então Província, depois os presidentes do Estado fizeram muitas tentativas, sem êxito. O general José de Siqueira Menezes, que governou o Estado entre 1912 a 1914 defendeu a edificação de um Teatro de Verão, para funcionar na capital sergipana. No Governo de Pereira Lobo – 1918 – 1922, o Estado adquiriu o terreno, fez o projeto, contratou a obra, mas nada feito. No terreno, poucos anos depois, foi construído o Palácio da Intendência, hoje Prefeitura, na praça Olímpio Campos.

Havia, na virada do século, um pequeno teatro, o São José, bastante acanhado para promover a vinda das Companhias que, aquele tempo, excursionavam pelos Estados do País. Foi então que o comerciante italiano Nicolau Pungittori, morador antigo de Sergipe, construiu com seus próprios recursos o Teatro Carlos Gomes, com 400 lugares, distribuídos em bancos de 10 cadeiras, 30 camarotes e 150 torrinhas. Estava pronto para ser inaugurado em 4 de abril de 1904, e para funcionar como casa de espetáculos, aberta ao movimento artístico aracajuano.

O nome do Teatro homenageava o compositor e maestro paulista Antônio de Carlos Gomes, (1836 – 1896) um dos mais notáveis artistas brasileiros, empenhado nas campanhas nacionais mais importantes, como a abolição da escravatura. Carlos Gomes musicou um poema do laranjeirense Bitencourt Sampaio – Quem Sabe -, que se tornou a modinha referencial do cancioneiro brasileiro. Com o nome de Teatro Carlos Gomes a casa de Nicolau Pungittori chegou a 1913, quando ampliou a sua função e mudou de nome.

O cinematógrafo é um aparelho de captação e projeção de imagens, desenvolvido a partir de 1890 por Marey, Edison e pelos Irmãos Lumiere. A novidade rapidamente correu mundo e em 1903 há registro de uma demonstração em Aracaju. Empresários passaram pela capital sergipana e exibiram as imagens do cinematógrafo, atraindo um público curioso. Fez sucesso em Aracaju, por exemplo, o cinematógrafo dos irmãos Pathé, que entraram para a história do cinema com filmes pioneiros em Paris, alguns deles apresentados por cartazes desenhados pelo sergipano de Laranjeiras Cândido Faria, um dos mais completos artistas do seu tempo.

Coube, no entanto, ao major Alcino Fernandes de Barros, que foi Intendente de Aracaju nos anos de 1906 e 1907, instalar no Teatro Carlos Gomes, em 1913, um cinematógrafo, e trocar o nome para Cine – Teatro Rio Branco, em homenagem ao Barão do Rio Branco, Chanceler do Brasil, falecido no final de 1912. Por coincidência foi também no mês de abril, que Aracaju passou a contar com um Teatro, que também era cinema e que oferecia os seus espaços internos para eventos musicais, escolares, cívicos, políticos, e outros que serviam para mostrar artistas, produções e público nas primeiras décadas da vida aracajuana do século XX.

Em 1920, quando das grandes festas que celebraram o Centenário da Emancipação Política de Sergipe a fachada do Cine – Teatro Rio Branco foi toda remodelada, e seu interior ganhou alterações ampliadoras, para receber mais e melhor os freqüentadores. Já havia sido constituída uma nova firma – J. Barreto & Cia, para levar adiante o Cine – Teatro Rio Branco. No 9º aniversário do Cine – Teatro, 12 de abril de 1922, a casa era dirigida por José Barreto de Mesquita, o Juca Barreto, que manteve-se a frente do empreendimento até a década de 1970, deixando a responsabilidade com o seu irmão, o poeta e escritor Paulo Barreto Mesquita.

O Cine – Teatro Rio Branco não era mais o único espaço público de divertimento e de cultura. O salão superior do prédio da Biblioteca Pública, atual Câmara de Vereadores de Aracaju, era muito usado para reuniões solenes, recitais, conferências e apresentações. Na década de 1930, com a construção do novo prédio da Biblioteca Pública, na praça Fausto Cardoso, onde hoje está o Arquivo Público do Estado de Sergipe, o salão do 3º andar foi bastante ocupado com espetáculos, concertos, reuniões, conferências, e outros eventos artísticos, literários e culturais. O mesmo aconteceu com o prédio do Instituto Histórico e Geográfico, com suas salas térreas e seu grande auditório, sediando a Academia Sergipana de Letras e outras instituições sociais, como espaço cultural requisitado. Até mesmo os outros cinemas, como o Vitória, cedia seu palco e suas cadeiras para shows e eventos que atraíam grandes públicos.

O Rio Branco, no entanto, continuou sendo o mais importante dos espaços aracajuanos, porque mantinha com regularidade as três funções básicas de sua história: a função teatro, que chegou praticamente aos anos setenta; a função cinema, que foi predominante e varou o tempo, ainda que mesclada pela onda pornográfica dos últimos anos; e a função cívica, social e cultural, com eventos marcantes que mobilizaram as diversas gerações de sergipanos.

Um Memorial do Rio Branco está sendo preparado para contar a história de 100 anos de uma casa de espetáculos, que já foi chamada de “Salão Nobre” de Aracaju, resgatando as suas funções e organizando com peças, iconografia, filmes e equipamentos modernos um ambiente para visita, pesquisa, estudo e apresentações. Os proprietários, liderados pela Construtora CELI, estão empenhados em dotar a capital sergipana de um espaço capaz de recriar a história não apenas da casa, mas das artes e dos fatos que ela abrigou, na sua relação com o público.

Nada mais oportuno, abrindo o ano de evocações de Aracaju, feita cidade e capital no dia 17 de março de 1855, há quase 150 anos. Serão duas, então, as comemorações: 100 anos do Rio Branco, em 2004, 150 anos de Aracaju, em 2005. Já é tempo, como dá exemplo a Construtora CELI, de abrir a temporada de júbilo pelo sesquicentenário da obra de Inácio Joaquim Barbosa, o presidente que deu a vida pela sua idéia e ligou-se, definitivamente, a Sergipe, a história e ao futuro dos sergipanos.

Texto reproduzido do site: usuarioweb.infonet.com.br/~osmario

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Kirk Douglas, completou 100 anos, no dia 9 de dezembro de 2016


Kirk Douglas - 100 anos (9 de dezembro de 2016).

Filho de um imigrante judeu analfabeto, Issur Danielovitch foi, durante muito tempo, ninguém. Mas era predestinado. Estudou, fez-se ator. E virou Kirk Douglas. Tudo isso foi há muito tempo atrás.

No dia 9 de dezembro, Kirk Douglas completou 100 anos. Cem! Ele próprio credita a longevidade à sua alma gêmea, Anne, a mulher com quem está casado há 63 anos.

Spartacus, no qual interpretou um gladiador que lidera uma rebelião contra o império Romano, continua sendo um dos seus filmes mais reverenciados.

Texto e imagem reproduzidos do site: politicasite.com

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Filme: "Spartacus" (1960), de Stanley Kubrick


















Carrie Fisher morre aos 60 anos

 Carrie Fisher interpretou a princesa leia em Star Wars.

Carrie Fisher interpreta Leia mais uma vez em
 'Star Wars: O Despertar da Força'.
-------------------------
Carrie Fisher morre aos 60 anos, diz site.
Atriz que interpretou Princesa Leia em 'Star Wars'
morreu nesta terça-feira (27), diz site da revista 'People'.
Texto e imagens reproduzidos do site: g1.globo.com

5 razões para entender por que a Princesa Leia é um ícone pop


Publicado no site G1/Cinema, em 28/12/2016.

5 razões para entender por que a Princesa Leia é um ícone pop.

Personagem que consagrou atriz Carrie Fisher, que morreu na terça-feira, mudou os padrões das heroínas do cinema ao retratar guerreira independente e cheia de personalidade.

Por BBC.

A Princesa Leia é uma das estátuas de cera do Museu Madame Tussaud, em Londres. O penteado de Leia, os vestidos, seu comportamento e a relação com Han Solo tornaram o personagem emblemático.

Leia Organa, filha de Darth Vader, irmã de Luke Skywalker, mãe de Kylo Ren, princesa do planeta Alderaan, membro do Senado Imperial, espiã da Aliança Rebelde e general da Resistência.

A mítica personagem da saga Guerra nas Estrelas, interpretada por Carrie Fisher -- que morreu na terça-feira (27) aos 60 anos -- é um ícone do cinema mundial.

Já no primeiro filme da série, Guerra nas Estrelas, de 1977, Carrie Fisher, então com 19 anos, marcava as telas - e o imaginário de toda uma geração - como a princesa guerreira com seus penteados exóticos e um comportamento que rompia com os padrões das princesas do cinema da época.

Também ficou na memória a cena em que a atriz usa um biquíni metálico, característico da cultura pop do fim dos anos 70 e início dos 80. Veja abaixo cinco motivos que explicam por que o personagem conquistou o status de ícone pop.

1- A princesa general

No primeiro filme da saga Guerra nas Estrelas, antes de ser capturada por Darth Vader, Leia esconde os planos da Estrela da Morte no robô R2-D2. Assim começa a aventura em que os rebeldes tentarão destruir a poderosa arma que pode acabar com planetas inteiros.

Da primeira à última participação, Leia não se comporta como a princesa que espera ser resgatada. Ao contrário. Seu papel era ativo, com autonomia e sentido político.

Ao saber da morte de Fisher, o criador de Guerra nas Estrelas, George Lucas, disse que a Leia de Fisher era uma "princesa poderosa, lutadora, sábia e cheia de esperança".

"Era um papel mais difícil de interpretar do que a maioria das pessoas pode imaginar", disse Lucas. Na década de 1970 era difícil encontrar heroínas nos filmes de Hollywood.

Em uma entrevista ao programa Nationwide da BBC, em 1977, Carrie Fisher disse: "Lucas não queria mais um estereótipo de princesa, alguém assustada, esperando por socorro". "Ele queria uma guerreira, uma princesa independente".

Além disso, o cabelo preso e os vestidos longos contrastavam com a maior parte dos ícones femininos da ficção científica que - na época e ainda hoje - geralmente usam os cabelos longos e soltos, roupas diminutas e justas.

Em "Star Wars: O Despertar da Força", sétimo episódio da saga, Leia já não usa o título de princesa e quase todos a chamam pela sua patente de general da Resistência.

2- O penteado.

Todo ícone do cinema deve ter elementos inconfundíveis: o penteado da Princesa Leia é um destes. Ninguém achou os coques laterais ridículos. Na verdade, os fãs adoraram o cabelo de Carrie Fisher.

Fãs de todo o mundo usam as roupas e penteados dos personagens de 'Guerra nas Estrelas' em convenções e pré-estreias dos filmes.

O penteado tem sido imitado pelos fãs da saga nas pré-estreias dos filmes em todo o mundo. Leia usou diferentes penteados na série de filmes, mas o mais emblemático ainda são os coques que cobrem as orelhas.

3- "Te amo" / "Eu sei".

A relação de indiferença/amor entre a Princesa Leia e o ex-contrabandista Han Solo, interpretado por Harrison Ford, é uma das tramas paralelas da saga Guerra nas Estrelas.

Entre encontros e desencontros, há um diálogo que os eternizou como casal durante toda a série de filmes.

Em "O Império contra-ataca", Han Solo está a prestes a ser congelado em carbonita, quando Leia diz: "Te amo". "Eu sei", responde ele antes de, em seguida, ser congelado.

Diz a lenda que Harrison Ford argumentou que um ex-contrabandista como Han Solo jamais responderia com um "eu também te amo". E assim o ator conseguiu mudar a resposta à Princesa Leia para um simples "eu sei".

Mas o auge do romance entre os personagens acontece no filme seguinte: "O Retorno de Jedi". Com o destino da galáxia definido, desta vez é Han Solo que declara seu amor. Leia paga na mesma moeda e responde: "Eu sei".

4- O biquíni metálico.

Há um momento em que Leia aparece bem diferente da princesa que usa vestidos longos e largos nas cenas de ação. É em "O Retorno de Jedi", de 1983. Trata-se do famoso biquíni metálico que Leia - presa a uma coleira - usa quando aparece como prisioneira de Jabba, um alienígena que tem a forma de um grande verme gordo.

O reluzente biquíni, bastante sexy - diga-se -, rapidamente se tornou mais uma das imagens icônicas da Princesa Leia, embora tenha aparecido em apenas duas cenas.

O biquíni foi copiado em dezenas de séries de TV e até hoje reaparece com as fãs em convenções sobre Guerra nas Estrelas e ficção científica. A cena em que Leia é capturada por Jabba também está reproduzida no museu de cera Madame Tussaud, em Londres. O biquíni dourado causou controvérsia.

Ainda hoje é possível comprar o biquíni metálico de Leia pela internet. Mas muita gente critica a cena em que Leia aparece presa e de biquíni por considerá-la sexista.

No ano de estreia do filme, Carrie Fisher disse que interpretava uma Leia "mais feminina, mais solidária e mais carinhosa" e que o uso do buquíni seria uma maneira de mostrar isso. No entanto, nos últimos anos a atriz rejeitou as cenas com o traje e sugeriu às futuras atrizes que não cedessem à pressão para usar roupas curtas e justas.

5- O culto a 'Guerra nas Estrelas'.

Finalmente, é importante lembrar que Leia Organa é um personagem que se beneficiou do grande culto criado em torno de tudo o que se relaciona com a saga Guerra nas Estrelas. A série de filmes atrai fãs e colecionadores em todo o mundo - há até quem siga a "religião" Jedi - e faturou milhões de dólares de bilheteria.

Todas estas características confirmam que a filha de Darth Vader, irmã de Luke Skywalker, espiã da Aliança Rebelde e general da Resistência, foi uma personagem com lugar de destaque na cultura pop das últimas quatro décadas.

Texto reproduzido do site: g1.globo.com/pop-arte/cinema