terça-feira, 13 de junho de 2017

Amácio Mazzaropi (1912 - 1981)



O fenômeno Mazzaropi.

A carreira do ator, diretor e produtor que contabilizou sucessos e duras críticas em 32 longas-metragens.

Por Marina Gadelha.

Foram 32 filmes entre 1952 e 1980, chegando a atrair mais de oito milhões de espectadores em um único longa-metragem. O responsável por tamanho sucesso chama-se Amácio Mazzaropi, o artista que deu vida ao imortal e carismático estereótipo do homem do campo. Seu personagem, caipira e ingênuo, mas com doses de malícia, conquistou a simpatia das massas populares, que garantiam as sessões lotadas em todos os seus filmes, mas angariou duros julgamentos pelas análises especializadas.

Mazzaropi teria 100 anos completos, se hoje estivesse vivo. Nasceu em 1912, na cidadede São Paulo, e com 2 anos foi com os pais para Taubaté, no interior paulista. Filho de pai italiano e mãe descendente de portugueses, saiu de casa aos 14 para excursionar com um espetáculo teatral ambulante. Atuou em comédias de costumes e em espetáculos de circo. Em 1940, fundou sua própria companhia, o Pavilhão Mazzaropi, cuja aceitação popular acabou lhe abrindo as portas para o rádio. De lá seguiu para a TV Tupi, em 1950, onde estreou o mesmo show que mantinha na Rádio Tupi, Rancho alegre. Com o sucesso na televisão, foi contratado pela Vera Cruz.

Sua estreia nas telas foi em Sai da frente, no papel de Isidoro, um motorista de caminhão que deixa o carro desgovernado em plena cidade de São Paulo. A crítica do jornal paulista Cine-Repórter de 13 de setembro de 1952 destacou: “Explorando a cor local e o pitoresco das ruas e dos hábitos urbanos de São Paulo, com digressão pela cidade de Santos, a Vera Cruz tenta, pela primeira vez, o gênero de comédia bufa. E saiu-se muito bem, porque o filme agradou plenamente. Durante o desenrolar da ação, que se situa quase que integralmente em exteriores, o público ri gostosamente com o desastrado “Chauffeur” de caminhão de aluguel, que é vivido com naturalidade pelo conhecido cômico Mazaroppi. Como Sai da frente não tem outra pretensão senão a de fazer rir, o seu intento, pois, é logrado plenamente. Trata-se, pois, de um filme que realiza bom programa para qualquer público.”

Satisfeita com a performance de Mazzaropi, a Vera Cruz renova contrato com o ator, que volta ao papel do motorista Isidoro em Nadando em dinheiro, uma de suas comédias mais conhecidas. Nesse filme, o motorista ganha na loteria e se vê, de repente, milionário. Em 1958, Mazzaropi funda a PAM Filmes (Produções AmácioMazzaropi) em modernos estúdios em Taubaté, e lá realiza 23 longas-metragens. Os maiores sucessos foram Jeca Tatu (1959) e Casinha pequenina (1963), ambos contabilizando oito milhões de pagantes cada. “Mazzaropi morreu fazendo sucesso. Ele fazia uma espécie de laboratório de suas piadas nas apresentações de circo que fez ao longo de toda a sua vida. Ali, ele testava o que o público queria”, contou Marcela Matos, autora de Sai da frente! – a vida e a obra de Mazzaropi ao jornal O Globo, em abril de 2010.

Seu último trabalho no cinema foi O Jeca e a Égua Milagrosa, de 1980. No ano seguinte, morreu aos 69 anos, vítima de um câncer na medula.

Texto reproduzido do site: funarte.gov.br

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Pesquisador salva pedaços do cinema brasileiro

FÃ DE FATO - Jurandyr Noronha e sua câmera Prévost,
 de 1911. Ele passou 73 anos recuperando pedaços de filmes.

CARTAZ - Rio, 40 graus (1955), de Nelson Pereira dos Santos. 
E a matriz foi para o lixo...

 CHOQUE - Nelson fala sobre a Cinemateca: 
Mataram todos os meus filmes”. (André Valentin).

PRISÃO - Alzira Alves vive Olga Breno, o rosto da angústia
 em Limite. Ela se achou famosa aos 80 anos. (Mônica Imbuzeiro).

Publicado originalmente na revista Época, em 24 de abril de 2009.

Pesquisador salva pedaços do cinema brasileiro.

O cinéfilo Jurandyr Noronha resgatou clássicos dos anos 20 aos 60 e tornou a aventura uma obra de referência essencial.

Por Norma Couri.

O cadáver do personagem Joe Gillis boiando na piscina da ex-atriz de filmes mudos Norma Desmond é um símbolo do impacto causado pelo surgimento do cinema falado. “Eu sou grande, os filmes é que ficaram pequenos”, afirma a decadente Norma (Gloria Swanson) para o fracassado Joe (William Holden) em Crepúsculo dos deuses, clássico de Billy Wilder, de 1950. Nos Estados Unidos, os filmes podem ter ficado “pequenos”. No Brasil, onde quase vingou uma Hollywood tropical nos anos 40 e 50, eles eclipsaram, apagados pelo fogo, pelo fungo ou pelo desleixo.

A surpresa é descobrir quantos desapareceram, e isso só a obsessão de um fanático por cinema como Jurandyr Noronha pode desvendar. Cineasta, escritor, pesquisador, ele passou 73 de seus 93 anos mergulhado em celuloides, moviolas, vitafones, movietones, escavando relíquias nas latas de lixo de estúdios falidos e perseguindo no chão das feiras dos bairros de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, ou do Bexiga, em São Paulo, câmeras como a francesa Prévost, de 1911, que decora sua sala. Foi das poucas que sobraram do Museu do Cinema Brasileiro que ele mantinha em casa, até doá-lo para o Museu de Arte Moderna (MAM) carioca. Lá, o tesouro foi dilapidado, e seus restos transferidos para os estúdios da Cinédia, no Rio de Janeiro. Jurandyr lança nesta semana um presente para os cinéfilos. Dicionário De Cinema Brasileiro – De 1896 A 1936, Do Nascimento Ao Sonoro (editora EMC, 454 páginas, R$ 60) traz quase 2.500 verbetes que o diretor Nelson Pereira dos Santos qualifica de “o DNA de nosso cinema” (leia a polêmica entre Nelson e a Cinemateca Brasileira na terceira página).

Quantos sobraram? “Poucos, muito poucos”, diz Jurandyr. “Jorge Ileli (cineasta e roteirista) disse que, se eu não tivesse salvado em imagem uma sequência de seu filme Mulheres e milhões, não teria sobrado nada.” São eletrizantes 13 minutos de filme noir, ação e suspense sem nenhum diálogo, o melhor do policial brasileiro em preto e branco, que levou nove anos para ser concluído, em 1961. Outra preciosidade do cinema falado salva por Jurandyr é um trecho de Bonequinha de seda (1935), de Oduvaldo Vianna, que introduziu a grua no Brasil e foi o primeiro a usar retroprojeção – uma tela simulava o trânsito da rua no vidro traseiro do carro que aparecia no filme. E um trecho de Ganga bruta, de Humberto Mauro, que causava frisson em 1933 na cena em que o vestido da atriz Déa Selva era rasgado pelos galhos do campo, deixando à mostra seu joelho roliço e suas pernas grossas.

No Dicionário, é qualificado de “expressionista que vira western em cena de pancadaria no melhor John Ford e cresce para o clássico russo com conotações erótico-freudianas, o chamado Freud de Cascadura”. Definição mais substanciosa que a do Dictionnaire des films, do historiador francês George Sadoul, que qualifica o roteiro de absurdo, mas chama o filme de “obra-prima, sonorizada em discos, não contendo uma palavra de diálogo”. Jurandyr também salvou em película um trecho de Exemplo regenerador, de José Medina, de 1919.

Dicionário revela o começo da paixão de Jurandyr, eletrizado pela descoberta casual, em 1964, de uma película com o voo de Santos Dumont no 14 Bis. Ao “tesouro”, Jurandyr deu o título de Uma alegria selvagem, homenagem ao poema do pioneiro da aviação: “Lá no alto, na solidão negra... eu me sentia como parte integrante da própria tempestade, dominava meus nervos uma alegria selvagem”. Não fosse a curiosidade de Jurandyr por umas latas enferrujadas debaixo da moviola, a alegria de Santos Dumont teria virado pó. “O melhor de nosso cinema era jogado fora”, diz.

Tal qual o projecionista Alfredo em Cinema Paradiso, de Giuseppe Tornatore, Jurandyr fez em 1979 a comovente montagem de filmes salvos do incêndio no DVD histórico Panorama do cinema brasileiro, vendido pela Funarte – se ainda existisse algum para venda. Ali estão a estreia do cinegrafista Edgar Brasil numa cena de Brasa dormida (1929), de Humberto Mauro, e uma sequência de Noite vazia, em que Norma Bengell se vê menina e mulher. “É uma segunda montagem substituindo a cena de amor entre Norma e Odete Lara escolhida pelo crítico Moniz Vianna. Na pré-estreia, a sequência chocou tanto a mulher do então ministro da Educação, Tarso Dutra, que tiveram de abortá-la”, afirma.

O cinema mudo morreu em 1930. Em 1929, o Brasil foi surpreendido, em plena Grande Depressão americana, por vozes em Alta traição, de Ernst Lubitsch. E viu, no mesmo ano, plateias pasmadas com o primeiro filme brasileiro falado, Acabaram-se os otários, de Luís de Barros – reconstituição cinematográfica da piada do mineiro que comprou um bonde, glorificação do caipira paulista.

SAIBA MAIS.

Daí para os estúdios da Vera Cruz, no início dos anos 50, foi um arranque só. Tivemos nossos momentos de Hollywood depois da vinda do diretor Alberto Cavalcanti de Londres trazendo os técnicos dos estúdios Ealing, desempregados na Europa pós-guerra. “Caiçara, primeiro filme da Vera Cruz dirigido por Cavalcanti, não tem comparação técnica com outras produções, e não fosse essa lufada estrangeira jamais teríamos levado o prêmio em Cannes em 1953, com O cangaceiro (de Lima Barreto), ou a Palma de Ouro em 1962, com O pagador de promessas (de Anselmo Duarte).”

Eram tantos estúdios que quase acreditamos que o cinema deslancharia no Brasil. A Vera Cruz contrapunha em São Paulo, num estúdio industrializado e “cinema sério”, as popularíssimas chanchadas cariocas da Atlântida costuradas em fundos de galpões mambembes, sem preservação. Entre um e outro surgiram Cinédia, primeiro estúdio construído especialmente para esse fim em São Cristóvão, Multifilmes, Maristela, Kino Filmes... Nenhum sobrou, e o Cinema Novo veio resgatar um cinema fadado ao fracasso. “Também não sobraram os cinemas da Cinelândia, maior complexo cinematográfico do país nos anos 20, inaugurado por Francisco Serrador. Ele montou o primeiro estúdio industrial do Brasil em São Paulo, mas inaugurou oito cinemas no Rio – o Vitória virou igreja, o Plaza e o Metro fecharam, ficou o Odeon, com patrocinío da Petrobras...”

Ficou também o Dicionário de Jurandyr, em que se aprende que no mutoscópio um espectador de cada vez espiava o filme; que em A cabana do Pae Tomaz Antonio Serra fez em 1909 uma embrulhada misturando a escravidão americana com a brasileira; que O guarany teve sete versões e O crime da mala outras tantas; que Cavalleiro negro, de Luís de Barros, inovou um playback improvisado em 1923 fazendo atores repetir as mímicas com falas mais ou menos acertadas de sincronia; e Limite (1931), único filme de Mário Peixoto, que oscilava entre a avant-garde francesa e o expressionismo alemão, virou um clássico sem nunca ter sido exibido comercialmente. “Nenhum exibidor queria, achavam que o público não suportaria.”

Até a metade do século passado, o Brasil tinha produzido 400 filmes, a maior parte perdida. “O musical Allô! Allô! Brasil!, de 1935, não existe mais, mas Allô! Allô! Carnaval!, de Adhemar Gonzaga, com Carmen e Aurora Miranda cantando ‘Cantoras do rádio’, sobrou, quase inteiro...”, diz Jurandyr, lamentando a seletividade que não salvou filmes que tratavam da vacina obrigatória, da peste bubônica ou do mata-mosquitos. Filmes coloridos com banhos de anilina, temas reincidentes sobre milagres, revoluções. Enigmas como o filme de 1897 Ponto de linha dos bonds de Botafogo vendo-se os passageiros subir e descer, entre outros com títulos inacreditáveis como A esposa do solteiro, Filho sem mãe, Va-te con la outra, Sofrer para gozar, Tui-tui-tui-tui-Zi-zi-zi.

Jurandyr reuniu em longas, médias ou curtas-metragens vários filmes de pesquisa. Foram Cômicos + cômicos, em 1971, 70 anos de Brasil, em 1974, Pioneiros do cinema brasileiro, em 1997. Fez 34 documentários, muitos produzidos pelo Instituto Nacional de Cinema. Publicou três livros e organizou exposições. Junto com esse Dicionário, publica suas memórias em O momento mágico. Não cansou. Quer fazer um making of dos “cantantes e falantes”, gênero que durava o tempo de uma canção, com dubladores atrás de uma tela transparente “falando” pelos atores do filme projetado para a plateia do outro lado. “Era uma parafernália de megafones e ruídos que não acabava mais. Não sobrou nenhum.”

O que o Dicionário não conseguiu resolver foi a briga entre Rio e Petrópolis sobre qual foi o primeiro filme brasileiro: a Imagem da Baía de Guanabara, em 1898, ou a chegada do trem a Petrópolis, que teria sido feita um ano antes. “Ambos rodados com omniógrafo e bobinas de 60 metros movidos a manivela. Aposto nas cenas da Baía de Guanabara...”

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Nelson Pereira dos Santos não perdoa a Cinemateca Brasileira por ter, segundo ele, defenestrado a matriz de Rio, 40 graus, lançado e censurado em 1955. Para se defender, o diretor da Cinemateca, Carlos Magalhães, aponta o lote de 8 mil latas de filmes da Atlântida trazidas do Arquivo Nacional que chegaram à Cinemateca no ano passado, somando-se aos 35 mil títulos que incluem a produção da Vera Cruz.

“Está vendo isso?”, Magalhães mostra a foto da mancha amorfa em que se transformou um dos títulos raros da Atlântida. “É a síndrome do vinagre. A fita está cheia de perfurações, oxidações, vai contaminar os rolos bons. Quando o filme chega a esse estado, não há o que fazer. E são muitos, porque naquela época nenhum cineasta pensava em conservação. Eu brinco dizendo que, se a fita fosse tela, os cineastas já teriam pintado de branco para servir de base para outro quadro. Ainda bem que o filme só pode ser sensibilizado pela luz uma única vez.”

Magalhães diz que a Cinemateca recebe cadáveres. “O melhor a fazer é copiar e salvar as imagens como der, transpor o suporte deteriorado para outro, extirpar a doença. Foi o que aconteceu com Rio, 40 graus. Nelson tem uma visão equivocada. Uma parte da produção cinematográfica se perdeu entre 1915 e 1920. Perdemos 93% dos filmes. Limite, de Mario Peixoto, se salvou pela ação conjunta de várias pessoas (Saulo Pereira de Mello e Plínio Sussekind Rocha). A Cinemateca tem um dos maiores laboratórios de restauração do país. A matriz de Rio, 40 graus estava marcada para morrer, não foi guardada nas condições ótimas de 10 a 35 graus e umidade relativa. Sofreu variações ambientais bruscas, precisou ser descartada em várias épocas e trechos para salvar outros. Mas isso só depois que se preservou o filme, qualquer um pode assistir a uma cópia, que permite cópias.” Magalhães distingue o filme da obra de arte única de um museu. “Filme é a arte da copiagem.”

Assim mesmo Nelson não perdoa. Faz alusão ao Matadouro Municipal que ocupava o local onde hoje existe a Cinemateca. “Ali continua sendo um matadouro: mataram todos os meus filmes. Levei meu acervo para o Arquivo Nacional.”

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A única sobrevivente de Limite morreu em outubro de 2000, aos 89 anos, quase sem entender o sucesso do filme que protagonizou. Alzira Alves tinha 18 anos, era balconista da loja de chocolates Bhering, do primo de Mário Peixoto, e de uma hora para outra teve de escolher entre o pseudônimo Luba Laje e Olga Breno. Foi com o segundo que virou o rosto que abre o filme, com duas mãos masculinas algemadas.

“Tem beijo?”, perguntou a mãe, nascida em Trás-os-Montes, em Portugal. Ela respondeu que não. Mesmo assim só teve o consentimento para virar estrela com o irmão acompanhando cena por cena. “O diretor tinha 22 anos, eu não entendia patavina do que ele dizia, mas obedecia”, respondeu a atriz em entrevista feita no Rio, um ano antes de sua morte.

Só quatro anos antes de morrer, durante um ciclo de palestras da Casa Laura Alvim, no Rio, ela entendeu. “Eu era angústia, prisão, confinada num barquinho em Mangaratiba onde o tio de Mário Peixoto era prefeito, apavorada porque não sabia nadar.”

O primo liberava a balconista, mas pagava o salário. Mário Peixoto, apenas vestidos. “Mas era um gentleman, e minha carreira teria prosseguido se ele não tivesse brigado com a Carmem Santos (atriz e produtora).” Foi durante a rodagem de Onde a terra acaba, inacabado, em que Alzira/Olga repetiu 46 vezes a cena em que era esbofeteada sem dublê. Quase 60 anos depois, em 1988, os dois se encontraram na inauguração do Centro Cultural Mário Peixoto, em Mangaratiba. Ficaram se olhando, até Alzira cochichar para o diretor: “Mário, eu não sabia que era tão famosa”.

Texto e imagens reproduzidos do site: revistaepoca.globo.com

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Charles Chaplin (1889 - 1977)

Segundo Laurence Olivier, “Charles Chaplin ficará na
memória como o maior ator de todos os tempos”.

Publicada originalmente no site do Jornal do Dia Online, em 30/07/2013.

Charles Chaplin.
Por Vieira Neto.

Nome verdadeiro: Charles Spencer Chaplin.

Nascido em Lambeth South Londres, na Inglaterra, no dia 18 de abril de 1889.

Fez sua primeira aparição no teatro com cinco anos, tornando-se comediante em musicais, em 1898. Chegou aos Estados Unidos com a companhia de Fred Karno e acabou trabalhando para Marck Sennet e Keystone. Seu primeiro filme foi "Making a Living", que estreou em 1914. Depois veio "Kid Auto Races in Venice", onde, pela primeira vez ele usou o traje de vagabundo, criando o personagem que o faria mundialmente famoso: Carlitos.

Contratado pelos Estúdios Essaney, em 1915, passa a receber um salário de 1.250 dólares por semana. Chaplin já estava sendo chamado de "O maior comediante do mundo". Nesse estúdio contracenou com Bem Turpin e Edna Purviance no filme "O Vagabundo" (The Tramp), que muitos críticos dizem ser sua primeira obra-prima.

Em 1918, transfere-se para a Firs National (depois de passar pela Mutual) para fazer filmes a 150.000 dólares cada: "Vida de Cachorro", "Ombro Armas", "Um Idílio nos Campos". Após "Pastor de Almas", Chaplin fundou a United Artists com Mary Pickford, Douglas Fairbanks e D.W. Griffith. Em 1925 fez "Em Busca do Ouro", que estourou como o maior sucesso de crítica e de público. Mas foi em 1928 que recebeu indicação para o Oscar de melhor ator e uma premiação especial pela produção do filme "O Circo".

O advento do som não o perturbou. Chaplin continuou calado, apenas colocando música nos seus filmes. "Luzes da Cidade" foi outro grande sucesso. Na sátira "Tempos Modernos", à era das máquinas, ele ainda continuou mudo, apesar de alguns murmúrios. Foi com raiva do que estava acontecendo na Europa que Chaplin fez outa sátira - "O Grande Ditador" - sobre Hitler, tendo Jack Oakie como Mussolini. Após a guerra fez "Monsieur Verdoux", que hoje, muitos consideram o seu melhor filme. A figura do vagabundo havia desaparecido. 
"Luzes da Ribalta", em 1952, fez muito mais sucesso na Europa do que nos Estados Unidos.
Mudou-se para a Suíça com a quarta esposa, Oona, filha do escritor Eugene O'Neill, principalmente por estar sendo acusado de anti-americano e simpatizante do comunismo.

Chaplin odiava a morte e tinha um medo quase patológico dos agentes que a propagam: os resfriados, a poeira, os insetos, as rosas. Era materialista, ignorava que o espírito é imortal assim como sua genialidade, assim como Carlitos, que seria o primeiro a dizer: Chaplin vive. E paira sobre todos nós, como um condor.
Charles Chaplin morreu na Suíça, no dia de Natal de 1977, tendo finalmente sido reconhecido pela Inglaterra com o título de Cavaleiro (Sir). Sua filha Geraldine Chaplin também tornou-se uma grande atriz, principalmente no cinema espanhol, dirigida pelo marido, Carlos Saura.

A vida de Chaplin nem sempre correspondeu à grandeza de sua obra. Suas ideias políticas de esquerda não o impediram de acumular uma fortuna colossal gerida com o máximo rigor capitalista. Seu moralismo público não atrapalhou aventuras amorosas conduzidas com discutível elegância.

(Resumo do Capítulo 20 do meu livro inédito "Ícones do Cinema que Nunca Sairão de Cena").

Texto e imagem reproduzidos do site: jornaldodiase.com.br

sábado, 20 de maio de 2017

Randolph Scott


Publicada originalmente no Jornal do Dia, em 10/02/2015.

Randolph Scott.
Por Vieira Neto*

"Morreu Randolph Scott". A manchete estampada em jornais e revistas de quase todos os países, pegou muita gente de surpresa. Afastado há anos das telas de cinema, Scott, para grande parte dos fãs já estava morto.

Nascido a 23 de janeiro de 1903, no estado da Virgínia (EUA), Randolph Crane - nome verdadeiro do ator - nunca teve problemas financeiros. Filho de pais ricos, estudou engenharia na Universidade de Carolina do Norte. Anos depois, incorporou-se ao teatro Pasadena  Playhose, na Califórnia, de onde saiu com o auxílio de Howard Hughes, para as telas de Hollywood.

Entre 1950 e 53, Randolph Scott, atingindo o auge do sucesso, tornou-se um dos mais requisitados galãs do cinema americano, fato que lhe permitiu reduplicar a fortuna herdada dos pais.

Alto - tinha dois metros de altura - e dono de um rosto de traços bem marcados, o ator trabalhou em inúmeros westerns, destacando-se "Jesse James ",  "O último dos moicanos"  e  "Santa Fé". Atuou também em musicais como "Roberta", com Fred Asater Astaire e Cinger Rogers, e comédias como "Minha Esposa Favorita", com Irene Dunne e Cary Grant, com quem viria a manter anos depois, uma relação homoafetiva que a todos surpreendeu. Em 1962, despediu-se do cinema no excelente "Pistoleiros ao entardecer", de San Packipah.

Quanto à sua vida sentimental, pode -se dizer que foi relativamente calma. Antes de se unir ao ator Cary Grant, casou-se com Mariana Sommerville Dupont. Da rica família das industrias Dupont. Após o divórcio, casou-se em 1944, pela segunda vez, com a ex-atriz Patrícia Stilman, que lhe deu dois filhos: Cristopher e Sandra. Separando-se de Patrícia, ele foi viver com o ator Cary Grant. E ,como nos contos de fadas, foram felizes para sempre.

Avesso à publicidade, Scott declarou um ano antes de se aposentar, o que pensava da fama obtida no cinema: "Sempre recordo o que dizia o produtor David Belasco, que acreditava que astros e estrelas não deveriam se deixar ver em público a menos que fossem pagos para isso. Para mim, a afirmação de Belasco faz sentido.

Vale lembrar que a estrela mais fascinante e enigmática da indústria cinematográfica foi, sem dúvida alguma, Greta Garbo e por uma razão muito simples: ela se mantinha afastada do público. Assim, cada espectador tinha sua própria ideia do que ela era realmente. Fácil imaginar que, caso seus fás conhecessem esse pensamento de Randolph Scott, jamais encarariam com perplexidade a pacata morte ao entardecer, do "Pistoleiro" que era um "gigante" com os seus dois metros de altura.

* Resumo do capítulo 96 do meu livro inédito "101 ícones do cinema que nunca sairão de Cena.

Texto e imagem reproduzidos do site: jornaldodiase.com.br

sábado, 22 de abril de 2017

Cinemas de Aracaju, por José Augusto Silva Prudente

Imagem reproduzida do blog aracajuantigga.blogspot.com.br
e postada por Cinemateca da Saudade, para ilustrar o presente artigo.

Publicado originalmente no blog JASPRUDENTE, em 13 de abril de 2015.

Cinemas de Aracaju.
Por José Augusto Silva Prudente.

Sou do tempo em que os cinemas, ou salas de projeção, eram desprovidos de qualquer conforto. Nada de tapetes felpudos, ar-condicionado, poltronas acolchoadas e coisas que tais. Baleiros (garotos que circulavam pelas filas de poltronas com cestos de balas pendurados no pescoço) compunham a cena.
Não alcancei o tempo do cinema mudo. Contam meus ancestrais que na época deles os palcos ou ribaltas tinham um piano e uma bateria, onde acordes e batidas eram tocados ao vivo, sincronizados com as cenas dos filmes, conferindo um ar de emoção e realismo que se integravam ao filme. A primeira grande transformação havida foi o advento do  cinema sonoro. Vieram a seguir as evoluções técnicas dos    sistemas de som e de projeção, com o advento do Cinemascope e do Vista-Vision, telas de grandes formatos e experiências de  terceira-dimensão, que até hoje não conseguiram se popularizar, nem mesmo nas TVs.

Logo, os cinemas se tornaram grandes referências das principais cidades, comparáveis a palácios e monumentos, e passaram a ser pontos altos do convívio social. Lembro que, antes que Aracaju tivesse um cinema moderno, a pequenina Penedo, próxima à Neopolis, tinha um cinema com ar-condicionado, tapetes que afundavam sob nossos pés e poltronas acolchoadas.

Nessa época, Aracaju teve cinemas bastante frequentados como o Rio Branco na rua João Pessoa, de longe o mais marcante e famoso. De propriedade do Sr. Juca Barreto, era a mais perfeita expressão do termo cine-teatro. Tinha boa programação cultural, tendo ali se apresentado consagradas companhias teatrais, entre elas a de Procópio Ferreira, assim como expoentes da música como Bidu Sayão, orquestras como Silvio Mazuca e Caribean Steel Band, cantores como Nelson Gonçalves e Angela Maria, entre outros. Diga-se de passagem que Aracaju não tinha naquela época nenhum teatro.

O cine Vitória na rua Itabaianinha era o maior, com mais de mil lugares. O cine Rex, também na mesma rua, foi o primeiro a sucumbir aos novos tempos. Tinha também programação cultural mas não conseguiu resistir à concorrência. Finalmente, houve o cine Aracaju na rua laranjeiras, de cadeiras acolchoadas mas sem ar condicionado. Havia alguns cinemas fora da zona comercial: o Guarani  na rua de Estância tinha um público fiel de garotos amantes de filmes de faroeste e seriados que passavam capítulos novos a cada semana; o Tupi na rua Simão Dias e o São Franscico na colina do Sto.Antonio. O bairro Siqueira Campos teve o cine Plaza, cujas instalações viraram uma igreja evangélica.

Nas celebrações do primeiro centenário de Aracaju, em 1955, a cidade ganhou seu melhor cinema, o cine Palace no início da rua João Pessoa, que conservou o título até quando foi fechado. O cine Palace tinha um excelente ar-condicionado e no início muitas pessoas vestiam agasalhos para se protegerem do frio. Os adolescentes das décadas de 60-70 tinham o Palace como presença obrigatória dos seus circuitos sociais, que incluíam o passeio no parque dos alunos do internato do Jackson Figueiredo, a missa dominical na Catedral, a primeira sessão do Palace sempre precedida de uma agradabilíssima seleção musical de grandes orquestras, a matinê dançante da Associação Atlética, e finalmente o "footing" na Praça Fausto Cardoso e rua João Pessoa, com direito a paquera, som de retreta, visualização das vitrines e neons das lojas, tudo isso até as 22 horas, quando as moçoilas já se recolhiam e os marmanjos mais atirados rumavam para outras paragens menos familiares. Tudo isto foi ficando enterrado na poeira do tempo, de onde só ressurgem nas memórias teimosas de saudosistas como eu.

Texto reproduzido do blog: jasprudente.blogspot.com.br

quinta-feira, 23 de março de 2017

Breves Lembranças dos Cinemas em Simão Dias. (Sergipe)




Publicado originalmente no Facebook/Carlos Alberto Déda, em 22/03/2017.

Breves Lembranças dos Cinemas em Simão Dias.
Por Carlos Alberto Déda*

Dia desses fui indagado pelo professor e pesquisador conterrâneo Jorge Bastos sobre o cinema de nossa terra. Gostei da indagação porque sempre fui fã da conhecida sétima arte. Frequentei com assiduidade o Cine Ypiranga e o Cine Brasil em minha terra natal e, também, os das cidades em que morei: em Aracaju (os cinemas Rex, Rio Branco, Vitória e Palace), em Salvador (o Guarani, o Excelsior e o Capri) e em Jequié (o Cine Auditório e o Cine Jequié).

Ultimamente assisto aos filmes na televisão ou no computador. E o bom filme, o que acho supimpa, eu costumo ver repetidas vezes, como é o caso dos dirigidos pelos geniais Fellini e John Ford. E quando faço isto, minha paciente Leninha indaga: - Quer decorar?

Tenho boas recordações dos cinemas de minha terra e algumas delas eu relembro aqui para os amigos.

Contava meu saudoso pai que quando o cinema teve início em nossa cidade, as fitas eram projetadas manualmente, em locais improvisados, e que as pessoas interessadas, além de pagar o ingresso, tinham que levar suas próprias cadeiras para assistirem às fitas confortavelmente sentadas.

Naquele tempo predominavam as apresentações teatrais. Em 1918, foi inaugurado o Theatro Sylvio Romero, na Rua do Espinheiro, construído pelo o Cel. Felisberto Prata. Em 1921, aquela casa de espetáculos foi adaptada à projeção de filmes e passou a ser chamada de “Cine-Theatro Sylvio Romero”. Em 1923, sob a liderança de Arivaldo Prata (filho do Cel. Felisberto), surgiu o jornalzinho Cine-Jornal, que trazia logo abaixo do seu título a importante informação: “Folha de interesses locais e destinada a propaganda cinematográfica, editada pelo Cine-Theatro Sylvio Romero”.

Na década de 30, a aparelhagem do cinema foi vendida e surgiu na cidade o Cine Elite, que durou poucos anos.

O jornal “A Luta”, de Emílio Rocha, publicou várias notícias sobre o cinema em nossa terra.
Em 1943 o Sr. Pierre Freitas adquiriu nova aparelhagem e o prédio do Cine Theatro Sylvio Romero, então mudou o nome para Cine Teatro Ypiranga.

Dez anos depois, em 1953, foi inaugurado um novo cinema na cidade, construído pelo Sr. Durval Conceição, com o nome de Cine Brasil.

Posteriormente o Cine Brasil foi vendido ao Sr. Antônio Resende; e o Cine Ypiranga vendido ao Sr. Edinho de Lagarto. Com o passar dos anos e diante da concorrência da televisão, os cinemas fecharam.

Hoje temos apenas boas recordações daquelas casas de espetáculos. Aqui mesmo, já fiz relatos de minha presença no Cine Ypiranga, vendendo gibis, editados pela “Rio Gráfica Editora”, que meu irmão Carlos representava em Simão Dias.

Ao falar sobre os cinemas de nossa terra, o principal fato que me vem à mente é o desabamento da “geral” do Cine Ypiranga. Em nossa terra, denominava-se “GERAL” a parte superior do cinema, com bancos desconfortáveis, e que se cobrava um valor menor pelo ingresso; era o local preferido pelos que tinham o hábito de soltar gases mal cheirosos e sonoros, ou seja, peidos fedorentos e estrondosos.

Em uma noite de sábado, dia de feira na cidade, em 1961, o cinema estava lotado. Era exibido o filme brasileiro “A morte comanda o cangaço”. A fita mostrava uma luta sangrenta patrocinada pelos cangaceiros. Tiros, fumaça das armas, barulheira da artilharia dos jagunços e a plateia atenta, vibrando de emoção. Envolvidos no alvoroço da filmagem, os espectadores não notaram, de imediato, o estranho ruído e a fina poeira que desprendia da “Geral”.

Pois bem. Assim que perceberam que o som e a poeira não correspondiam aos efeitos especiais do filme, mas era o sinal de que a “geral” estava desabando, aí a plateia iniciou uma louca debandada no escuro, procurando saídas pelos fundos, por traz da tela, em direção à Rua dos Pinicos (era assim mesmo que era conhecida a rua que passava por trás do cinema).

Os que estavam nas filas próximas à entrada, seguiram a liderança de Dr. Fraga e Seu Manequinha, que eram pessoas bem conhecidas e admiradas na cidade. Eram corpulentos, então, diante do pânico, meteram as barrigas na grande porta da frente, quebrando os ferrolhos, escancarando-as em bandas, para dar passagem aos aflitos seguidores. O tumulto foi grande, mas, felizmente, não houve vítimas. Muitos perderam sapatos, chinelas e até chapéu, no entanto, nunca perderam o bom humor ao comentar a cena, sempre caprichando em satirizar o que se passou com cada um, sem esquecerem, ao final, mencionar a frase que se tornou frequente naqueles dias: “A morte comandou o cangaço, mas não comandou o Cine Ypiranga”.

Lembro-me, agora, de outro fato que aconteceu no Cine Brasil e me foi contado por uma pessoa que admiro muito e que se viu em uma verdadeira “saia justa”. Certa noite o amigo foi ao cinema com sua mulher. Antes de iniciar o filme, foi projetado um documentário sobre uma tribo de índios no Xingu. A fita exibia indígenas nus, com as intimidades expostas. O recatado casal não gostou do que via e tentou sair discretamente. Quando se aproximavam da saída, foram abordados por seu Antônio, proprietário do cinema, que exclamou em voz alta, mencionando o apelido do amigo, para que todos ouvissem:

- “Meu amigo (...) se eu soubesse que nesta fita apareciam índios nus eu não permitiria a projeção...”.

Surpreendidos pela quebra de privacidade da cautelosa saída, o envergonhado casal esgueirou-se porta a fora, ouvindo as gargalhadas e os gritos dos espectadores em consequência da espalhafatosa declaração do dono do cinema.

*Aracaju, 22/03/2017 - Beto Déda.

Texto e imagens reproduzidos do Facebook/Carlos Alberto Déda.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

O Memorial do Rio Branco

Cine Rio Branco - Rua João Pessoa - Atual Lojas Ipanema.
MELINS, Murillo. Aracaju romântica que vi e vivi. 
Anos 40 e 50. 3ed. Aracaju: Unit, 2007.
Foto publicada pelo blog Cinaemateca da Saudade,
 para ilustração do presente artigo.
Imagem reproduzida do blog:  aracajuantigga.blogspot.com.br

Publicado no site Osmário Santos,  em 24/11/2003.

O Memorial do Rio Branco.
Por Luiz Antonio Barreto.

No dia 4 de abril de 2004 o múltiplo espaço cultural de Aracaju, o Cine – Teatro Rio Branco, completa 100 anos de uma das mais ricas histórias sergipanas. Aracaju sempre quis ter um teatro e as autoridades da então Província, depois os presidentes do Estado fizeram muitas tentativas, sem êxito. O general José de Siqueira Menezes, que governou o Estado entre 1912 a 1914 defendeu a edificação de um Teatro de Verão, para funcionar na capital sergipana. No Governo de Pereira Lobo – 1918 – 1922, o Estado adquiriu o terreno, fez o projeto, contratou a obra, mas nada feito. No terreno, poucos anos depois, foi construído o Palácio da Intendência, hoje Prefeitura, na praça Olímpio Campos.

Havia, na virada do século, um pequeno teatro, o São José, bastante acanhado para promover a vinda das Companhias que, aquele tempo, excursionavam pelos Estados do País. Foi então que o comerciante italiano Nicolau Pungittori, morador antigo de Sergipe, construiu com seus próprios recursos o Teatro Carlos Gomes, com 400 lugares, distribuídos em bancos de 10 cadeiras, 30 camarotes e 150 torrinhas. Estava pronto para ser inaugurado em 4 de abril de 1904, e para funcionar como casa de espetáculos, aberta ao movimento artístico aracajuano.

O nome do Teatro homenageava o compositor e maestro paulista Antônio de Carlos Gomes, (1836 – 1896) um dos mais notáveis artistas brasileiros, empenhado nas campanhas nacionais mais importantes, como a abolição da escravatura. Carlos Gomes musicou um poema do laranjeirense Bitencourt Sampaio – Quem Sabe -, que se tornou a modinha referencial do cancioneiro brasileiro. Com o nome de Teatro Carlos Gomes a casa de Nicolau Pungittori chegou a 1913, quando ampliou a sua função e mudou de nome.

O cinematógrafo é um aparelho de captação e projeção de imagens, desenvolvido a partir de 1890 por Marey, Edison e pelos Irmãos Lumiere. A novidade rapidamente correu mundo e em 1903 há registro de uma demonstração em Aracaju. Empresários passaram pela capital sergipana e exibiram as imagens do cinematógrafo, atraindo um público curioso. Fez sucesso em Aracaju, por exemplo, o cinematógrafo dos irmãos Pathé, que entraram para a história do cinema com filmes pioneiros em Paris, alguns deles apresentados por cartazes desenhados pelo sergipano de Laranjeiras Cândido Faria, um dos mais completos artistas do seu tempo.

Coube, no entanto, ao major Alcino Fernandes de Barros, que foi Intendente de Aracaju nos anos de 1906 e 1907, instalar no Teatro Carlos Gomes, em 1913, um cinematógrafo, e trocar o nome para Cine – Teatro Rio Branco, em homenagem ao Barão do Rio Branco, Chanceler do Brasil, falecido no final de 1912. Por coincidência foi também no mês de abril, que Aracaju passou a contar com um Teatro, que também era cinema e que oferecia os seus espaços internos para eventos musicais, escolares, cívicos, políticos, e outros que serviam para mostrar artistas, produções e público nas primeiras décadas da vida aracajuana do século XX.

Em 1920, quando das grandes festas que celebraram o Centenário da Emancipação Política de Sergipe a fachada do Cine – Teatro Rio Branco foi toda remodelada, e seu interior ganhou alterações ampliadoras, para receber mais e melhor os freqüentadores. Já havia sido constituída uma nova firma – J. Barreto & Cia, para levar adiante o Cine – Teatro Rio Branco. No 9º aniversário do Cine – Teatro, 12 de abril de 1922, a casa era dirigida por José Barreto de Mesquita, o Juca Barreto, que manteve-se a frente do empreendimento até a década de 1970, deixando a responsabilidade com o seu irmão, o poeta e escritor Paulo Barreto Mesquita.

O Cine – Teatro Rio Branco não era mais o único espaço público de divertimento e de cultura. O salão superior do prédio da Biblioteca Pública, atual Câmara de Vereadores de Aracaju, era muito usado para reuniões solenes, recitais, conferências e apresentações. Na década de 1930, com a construção do novo prédio da Biblioteca Pública, na praça Fausto Cardoso, onde hoje está o Arquivo Público do Estado de Sergipe, o salão do 3º andar foi bastante ocupado com espetáculos, concertos, reuniões, conferências, e outros eventos artísticos, literários e culturais. O mesmo aconteceu com o prédio do Instituto Histórico e Geográfico, com suas salas térreas e seu grande auditório, sediando a Academia Sergipana de Letras e outras instituições sociais, como espaço cultural requisitado. Até mesmo os outros cinemas, como o Vitória, cedia seu palco e suas cadeiras para shows e eventos que atraíam grandes públicos.

O Rio Branco, no entanto, continuou sendo o mais importante dos espaços aracajuanos, porque mantinha com regularidade as três funções básicas de sua história: a função teatro, que chegou praticamente aos anos setenta; a função cinema, que foi predominante e varou o tempo, ainda que mesclada pela onda pornográfica dos últimos anos; e a função cívica, social e cultural, com eventos marcantes que mobilizaram as diversas gerações de sergipanos.

Um Memorial do Rio Branco está sendo preparado para contar a história de 100 anos de uma casa de espetáculos, que já foi chamada de “Salão Nobre” de Aracaju, resgatando as suas funções e organizando com peças, iconografia, filmes e equipamentos modernos um ambiente para visita, pesquisa, estudo e apresentações. Os proprietários, liderados pela Construtora CELI, estão empenhados em dotar a capital sergipana de um espaço capaz de recriar a história não apenas da casa, mas das artes e dos fatos que ela abrigou, na sua relação com o público.

Nada mais oportuno, abrindo o ano de evocações de Aracaju, feita cidade e capital no dia 17 de março de 1855, há quase 150 anos. Serão duas, então, as comemorações: 100 anos do Rio Branco, em 2004, 150 anos de Aracaju, em 2005. Já é tempo, como dá exemplo a Construtora CELI, de abrir a temporada de júbilo pelo sesquicentenário da obra de Inácio Joaquim Barbosa, o presidente que deu a vida pela sua idéia e ligou-se, definitivamente, a Sergipe, a história e ao futuro dos sergipanos.

Texto reproduzido do site: usuarioweb.infonet.com.br/~osmario

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Kirk Douglas, completou 100 anos, no dia 9 de dezembro de 2016


Kirk Douglas - 100 anos (9 de dezembro de 2016).

Filho de um imigrante judeu analfabeto, Issur Danielovitch foi, durante muito tempo, ninguém. Mas era predestinado. Estudou, fez-se ator. E virou Kirk Douglas. Tudo isso foi há muito tempo atrás.

No dia 9 de dezembro, Kirk Douglas completou 100 anos. Cem! Ele próprio credita a longevidade à sua alma gêmea, Anne, a mulher com quem está casado há 63 anos.

Spartacus, no qual interpretou um gladiador que lidera uma rebelião contra o império Romano, continua sendo um dos seus filmes mais reverenciados.

Texto e imagem reproduzidos do site: politicasite.com