quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

O Memorial do Rio Branco

Cine Rio Branco - Rua João Pessoa - Atual Lojas Ipanema.
MELINS, Murillo. Aracaju romântica que vi e vivi. 
Anos 40 e 50. 3ed. Aracaju: Unit, 2007.
Foto publicada pelo blog Cinaemateca da Saudade,
 para ilustração do presente artigo.
Imagem reproduzida do blog:  aracajuantigga.blogspot.com.br

Publicado no site Osmário Santos,  em 24/11/2003.

O Memorial do Rio Branco.
Por Luiz Antonio Barreto.

No dia 4 de abril de 2004 o múltiplo espaço cultural de Aracaju, o Cine – Teatro Rio Branco, completa 100 anos de uma das mais ricas histórias sergipanas. Aracaju sempre quis ter um teatro e as autoridades da então Província, depois os presidentes do Estado fizeram muitas tentativas, sem êxito. O general José de Siqueira Menezes, que governou o Estado entre 1912 a 1914 defendeu a edificação de um Teatro de Verão, para funcionar na capital sergipana. No Governo de Pereira Lobo – 1918 – 1922, o Estado adquiriu o terreno, fez o projeto, contratou a obra, mas nada feito. No terreno, poucos anos depois, foi construído o Palácio da Intendência, hoje Prefeitura, na praça Olímpio Campos.

Havia, na virada do século, um pequeno teatro, o São José, bastante acanhado para promover a vinda das Companhias que, aquele tempo, excursionavam pelos Estados do País. Foi então que o comerciante italiano Nicolau Pungittori, morador antigo de Sergipe, construiu com seus próprios recursos o Teatro Carlos Gomes, com 400 lugares, distribuídos em bancos de 10 cadeiras, 30 camarotes e 150 torrinhas. Estava pronto para ser inaugurado em 4 de abril de 1904, e para funcionar como casa de espetáculos, aberta ao movimento artístico aracajuano.

O nome do Teatro homenageava o compositor e maestro paulista Antônio de Carlos Gomes, (1836 – 1896) um dos mais notáveis artistas brasileiros, empenhado nas campanhas nacionais mais importantes, como a abolição da escravatura. Carlos Gomes musicou um poema do laranjeirense Bitencourt Sampaio – Quem Sabe -, que se tornou a modinha referencial do cancioneiro brasileiro. Com o nome de Teatro Carlos Gomes a casa de Nicolau Pungittori chegou a 1913, quando ampliou a sua função e mudou de nome.

O cinematógrafo é um aparelho de captação e projeção de imagens, desenvolvido a partir de 1890 por Marey, Edison e pelos Irmãos Lumiere. A novidade rapidamente correu mundo e em 1903 há registro de uma demonstração em Aracaju. Empresários passaram pela capital sergipana e exibiram as imagens do cinematógrafo, atraindo um público curioso. Fez sucesso em Aracaju, por exemplo, o cinematógrafo dos irmãos Pathé, que entraram para a história do cinema com filmes pioneiros em Paris, alguns deles apresentados por cartazes desenhados pelo sergipano de Laranjeiras Cândido Faria, um dos mais completos artistas do seu tempo.

Coube, no entanto, ao major Alcino Fernandes de Barros, que foi Intendente de Aracaju nos anos de 1906 e 1907, instalar no Teatro Carlos Gomes, em 1913, um cinematógrafo, e trocar o nome para Cine – Teatro Rio Branco, em homenagem ao Barão do Rio Branco, Chanceler do Brasil, falecido no final de 1912. Por coincidência foi também no mês de abril, que Aracaju passou a contar com um Teatro, que também era cinema e que oferecia os seus espaços internos para eventos musicais, escolares, cívicos, políticos, e outros que serviam para mostrar artistas, produções e público nas primeiras décadas da vida aracajuana do século XX.

Em 1920, quando das grandes festas que celebraram o Centenário da Emancipação Política de Sergipe a fachada do Cine – Teatro Rio Branco foi toda remodelada, e seu interior ganhou alterações ampliadoras, para receber mais e melhor os freqüentadores. Já havia sido constituída uma nova firma – J. Barreto & Cia, para levar adiante o Cine – Teatro Rio Branco. No 9º aniversário do Cine – Teatro, 12 de abril de 1922, a casa era dirigida por José Barreto de Mesquita, o Juca Barreto, que manteve-se a frente do empreendimento até a década de 1970, deixando a responsabilidade com o seu irmão, o poeta e escritor Paulo Barreto Mesquita.

O Cine – Teatro Rio Branco não era mais o único espaço público de divertimento e de cultura. O salão superior do prédio da Biblioteca Pública, atual Câmara de Vereadores de Aracaju, era muito usado para reuniões solenes, recitais, conferências e apresentações. Na década de 1930, com a construção do novo prédio da Biblioteca Pública, na praça Fausto Cardoso, onde hoje está o Arquivo Público do Estado de Sergipe, o salão do 3º andar foi bastante ocupado com espetáculos, concertos, reuniões, conferências, e outros eventos artísticos, literários e culturais. O mesmo aconteceu com o prédio do Instituto Histórico e Geográfico, com suas salas térreas e seu grande auditório, sediando a Academia Sergipana de Letras e outras instituições sociais, como espaço cultural requisitado. Até mesmo os outros cinemas, como o Vitória, cedia seu palco e suas cadeiras para shows e eventos que atraíam grandes públicos.

O Rio Branco, no entanto, continuou sendo o mais importante dos espaços aracajuanos, porque mantinha com regularidade as três funções básicas de sua história: a função teatro, que chegou praticamente aos anos setenta; a função cinema, que foi predominante e varou o tempo, ainda que mesclada pela onda pornográfica dos últimos anos; e a função cívica, social e cultural, com eventos marcantes que mobilizaram as diversas gerações de sergipanos.

Um Memorial do Rio Branco está sendo preparado para contar a história de 100 anos de uma casa de espetáculos, que já foi chamada de “Salão Nobre” de Aracaju, resgatando as suas funções e organizando com peças, iconografia, filmes e equipamentos modernos um ambiente para visita, pesquisa, estudo e apresentações. Os proprietários, liderados pela Construtora CELI, estão empenhados em dotar a capital sergipana de um espaço capaz de recriar a história não apenas da casa, mas das artes e dos fatos que ela abrigou, na sua relação com o público.

Nada mais oportuno, abrindo o ano de evocações de Aracaju, feita cidade e capital no dia 17 de março de 1855, há quase 150 anos. Serão duas, então, as comemorações: 100 anos do Rio Branco, em 2004, 150 anos de Aracaju, em 2005. Já é tempo, como dá exemplo a Construtora CELI, de abrir a temporada de júbilo pelo sesquicentenário da obra de Inácio Joaquim Barbosa, o presidente que deu a vida pela sua idéia e ligou-se, definitivamente, a Sergipe, a história e ao futuro dos sergipanos.

Texto reproduzido do site: usuarioweb.infonet.com.br/~osmario

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Kirk Douglas, completou 100 anos, no dia 9 de dezembro de 2016


Kirk Douglas - 100 anos (9 de dezembro de 2016).

Filho de um imigrante judeu analfabeto, Issur Danielovitch foi, durante muito tempo, ninguém. Mas era predestinado. Estudou, fez-se ator. E virou Kirk Douglas. Tudo isso foi há muito tempo atrás.

No dia 9 de dezembro, Kirk Douglas completou 100 anos. Cem! Ele próprio credita a longevidade à sua alma gêmea, Anne, a mulher com quem está casado há 63 anos.

Spartacus, no qual interpretou um gladiador que lidera uma rebelião contra o império Romano, continua sendo um dos seus filmes mais reverenciados.

Texto e imagem reproduzidos do site: politicasite.com

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Filme: "Spartacus" (1960), de Stanley Kubrick


















Carrie Fisher morre aos 60 anos

 Carrie Fisher interpretou a princesa leia em Star Wars.

Carrie Fisher interpreta Leia mais uma vez em
 'Star Wars: O Despertar da Força'.
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Carrie Fisher morre aos 60 anos, diz site.
Atriz que interpretou Princesa Leia em 'Star Wars'
morreu nesta terça-feira (27), diz site da revista 'People'.
Texto e imagens reproduzidos do site: g1.globo.com

5 razões para entender por que a Princesa Leia é um ícone pop


Publicado no site G1/Cinema, em 28/12/2016.

5 razões para entender por que a Princesa Leia é um ícone pop.

Personagem que consagrou atriz Carrie Fisher, que morreu na terça-feira, mudou os padrões das heroínas do cinema ao retratar guerreira independente e cheia de personalidade.

Por BBC.

A Princesa Leia é uma das estátuas de cera do Museu Madame Tussaud, em Londres. O penteado de Leia, os vestidos, seu comportamento e a relação com Han Solo tornaram o personagem emblemático.

Leia Organa, filha de Darth Vader, irmã de Luke Skywalker, mãe de Kylo Ren, princesa do planeta Alderaan, membro do Senado Imperial, espiã da Aliança Rebelde e general da Resistência.

A mítica personagem da saga Guerra nas Estrelas, interpretada por Carrie Fisher -- que morreu na terça-feira (27) aos 60 anos -- é um ícone do cinema mundial.

Já no primeiro filme da série, Guerra nas Estrelas, de 1977, Carrie Fisher, então com 19 anos, marcava as telas - e o imaginário de toda uma geração - como a princesa guerreira com seus penteados exóticos e um comportamento que rompia com os padrões das princesas do cinema da época.

Também ficou na memória a cena em que a atriz usa um biquíni metálico, característico da cultura pop do fim dos anos 70 e início dos 80. Veja abaixo cinco motivos que explicam por que o personagem conquistou o status de ícone pop.

1- A princesa general

No primeiro filme da saga Guerra nas Estrelas, antes de ser capturada por Darth Vader, Leia esconde os planos da Estrela da Morte no robô R2-D2. Assim começa a aventura em que os rebeldes tentarão destruir a poderosa arma que pode acabar com planetas inteiros.

Da primeira à última participação, Leia não se comporta como a princesa que espera ser resgatada. Ao contrário. Seu papel era ativo, com autonomia e sentido político.

Ao saber da morte de Fisher, o criador de Guerra nas Estrelas, George Lucas, disse que a Leia de Fisher era uma "princesa poderosa, lutadora, sábia e cheia de esperança".

"Era um papel mais difícil de interpretar do que a maioria das pessoas pode imaginar", disse Lucas. Na década de 1970 era difícil encontrar heroínas nos filmes de Hollywood.

Em uma entrevista ao programa Nationwide da BBC, em 1977, Carrie Fisher disse: "Lucas não queria mais um estereótipo de princesa, alguém assustada, esperando por socorro". "Ele queria uma guerreira, uma princesa independente".

Além disso, o cabelo preso e os vestidos longos contrastavam com a maior parte dos ícones femininos da ficção científica que - na época e ainda hoje - geralmente usam os cabelos longos e soltos, roupas diminutas e justas.

Em "Star Wars: O Despertar da Força", sétimo episódio da saga, Leia já não usa o título de princesa e quase todos a chamam pela sua patente de general da Resistência.

2- O penteado.

Todo ícone do cinema deve ter elementos inconfundíveis: o penteado da Princesa Leia é um destes. Ninguém achou os coques laterais ridículos. Na verdade, os fãs adoraram o cabelo de Carrie Fisher.

Fãs de todo o mundo usam as roupas e penteados dos personagens de 'Guerra nas Estrelas' em convenções e pré-estreias dos filmes.

O penteado tem sido imitado pelos fãs da saga nas pré-estreias dos filmes em todo o mundo. Leia usou diferentes penteados na série de filmes, mas o mais emblemático ainda são os coques que cobrem as orelhas.

3- "Te amo" / "Eu sei".

A relação de indiferença/amor entre a Princesa Leia e o ex-contrabandista Han Solo, interpretado por Harrison Ford, é uma das tramas paralelas da saga Guerra nas Estrelas.

Entre encontros e desencontros, há um diálogo que os eternizou como casal durante toda a série de filmes.

Em "O Império contra-ataca", Han Solo está a prestes a ser congelado em carbonita, quando Leia diz: "Te amo". "Eu sei", responde ele antes de, em seguida, ser congelado.

Diz a lenda que Harrison Ford argumentou que um ex-contrabandista como Han Solo jamais responderia com um "eu também te amo". E assim o ator conseguiu mudar a resposta à Princesa Leia para um simples "eu sei".

Mas o auge do romance entre os personagens acontece no filme seguinte: "O Retorno de Jedi". Com o destino da galáxia definido, desta vez é Han Solo que declara seu amor. Leia paga na mesma moeda e responde: "Eu sei".

4- O biquíni metálico.

Há um momento em que Leia aparece bem diferente da princesa que usa vestidos longos e largos nas cenas de ação. É em "O Retorno de Jedi", de 1983. Trata-se do famoso biquíni metálico que Leia - presa a uma coleira - usa quando aparece como prisioneira de Jabba, um alienígena que tem a forma de um grande verme gordo.

O reluzente biquíni, bastante sexy - diga-se -, rapidamente se tornou mais uma das imagens icônicas da Princesa Leia, embora tenha aparecido em apenas duas cenas.

O biquíni foi copiado em dezenas de séries de TV e até hoje reaparece com as fãs em convenções sobre Guerra nas Estrelas e ficção científica. A cena em que Leia é capturada por Jabba também está reproduzida no museu de cera Madame Tussaud, em Londres. O biquíni dourado causou controvérsia.

Ainda hoje é possível comprar o biquíni metálico de Leia pela internet. Mas muita gente critica a cena em que Leia aparece presa e de biquíni por considerá-la sexista.

No ano de estreia do filme, Carrie Fisher disse que interpretava uma Leia "mais feminina, mais solidária e mais carinhosa" e que o uso do buquíni seria uma maneira de mostrar isso. No entanto, nos últimos anos a atriz rejeitou as cenas com o traje e sugeriu às futuras atrizes que não cedessem à pressão para usar roupas curtas e justas.

5- O culto a 'Guerra nas Estrelas'.

Finalmente, é importante lembrar que Leia Organa é um personagem que se beneficiou do grande culto criado em torno de tudo o que se relaciona com a saga Guerra nas Estrelas. A série de filmes atrai fãs e colecionadores em todo o mundo - há até quem siga a "religião" Jedi - e faturou milhões de dólares de bilheteria.

Todas estas características confirmam que a filha de Darth Vader, irmã de Luke Skywalker, espiã da Aliança Rebelde e general da Resistência, foi uma personagem com lugar de destaque na cultura pop das últimas quatro décadas.

Texto reproduzido do site: g1.globo.com/pop-arte/cinema