sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Homenagem a Luiz Edmundo - Confraria do 16mm


Minha segunda homenagem, agora póstuma, ao amigo Luiz Edmundo, um apaixonado por Cinema.

Foi por intermédio de um comentário feito por Gildo Simões (ontem, cinco de setembro), na página do Grupo MTéSERGIPE, que tive a triste notícia da morte do amigo Luiz Edmundo.

O Luiz era um amigo da adolescência, tempo em que eu, ele e meu primo Eduardo (também falecido), promovíamos sessões de cinema em nossas casas e toda vizinhança era convidada para assistir filmes em 16mm, sonoros e completos.

O tempo passou, o Luiz formou-se em medicina, casou, teve filhos e manteve como hobby projetar filmes. Alguns anos atrás ele me falou que tinha vendido todos os filmes e projetores...

Descanse em paz, amigo Luiz Edmundo.

 

Quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Confraria do 16mm.
Por Armando Maynard

Na década de 60 eu, Luiz Edmundo e Eduardo (já falecido), tínhamos cada, um projetor de filmes 16mm., mania dos três. O meu era um Movicor que meu pai trouxe do Rio de Janeiro, quando lá foi fazer uma cirurgia. Trouxe também alguns curtas de Charles Chaplin, o Carlitos. Aqui em Aracaju comprávamos filmes em uma distribuidora de 16 mm., que ficava no primeiro andar de um prédio em frente aos Correios, na Rua Laranjeiras. Os filmes eram vendidos porque os Certificados de Censura, imprescindíveis para que eles pudessem ser exibidos publicamente com legalidade, encontravam-se vencidos, e se assim fossem devolvidos, as fitas seriam incineradas ou picotadas, transformando-se muitas vezes em vassouras. Nessa época, era grande a movimentação na distribuidora. O comércio de aluguel de filmes era intenso, pois haviam diversos cinemas de 16mm. espalhados pelo interior do Estado de Sergipe, muitos deles fixos, em prédios próprios, como também os mambembes, em que projecionistas saíam exibindo filmes em cidades e pequenos povoados. A chegada do cinema nas cidades, era recepcionada com grande alegria pela população. Isto nos faz lembrar o filme Bye, Bye Brasil (1979) de Cacá Diegues. A sala da distribuidora era toda decorada com diversos cartazes e, dentro dela, um funcionário passava todo o tempo a tirar filme das maletas e latas, para revisar, numa enroladeira manual, fazendo emendas onde a fita estivesse com os picotes estragados. Só a visita a este ambiente era um grande prazer e, geralmente, saía de lá com um pacotinho de um cine jornal ou um rolo de um filme qualquer, ansioso para chegar em casa e assistir, pois só assim tomávamos conhecimento do que havíamos comprado, pois na sua grande maioria eram adquiridos incompletos. Na Fazenda Pedras, meu tio - Gonçalo - tinha um cinema e, certa vez, observando, na minha casa, uma tela com cortina que se abria em duas partes ao comando de dois cordões, disse que ia trazer um projetor de verdade para passar um filme ali. Era que o dele, além de poder passar um filme de verdade, com várias partes e completo, era sonoro. Tratava-se de um projetor RCA de 16mm. Daí surgiu a idéia de meu primo Eduardo pedir ao mesmo emprestado o projetor, para que juntamente com Luiz Edmundo, passassem a fazer sessões pagas para a gurizada do bairro, no período das férias escolares, alugando filmes na distribuidora da rua Laranjeiras. E assim, tinha sessão de cinema todas as noites, com cartaz e fotos do filme na porta da casa da avó de Luiz. Lembro do filme King Kong (1933), o qual exibimos mais de 10 vezes. Com o advento da televisão e do vídeo-cassete, logo depois do DVD, da TV de assinatura e, mais recentemente, da internet, o cinema foi perdendo toda a magia da projeção, pois o seu acesso ficou mais fácil e automático. Toda essa modernidade, somada à violência das ruas e o preço dos ingressos, vieram a mudar certos hábitos dos amantes da sétima arte, diminuindo a freqüência às salas de cinema, fazendo com que muitos passassem a assistir a um bom filme no conforto do seu lar. Em conseqüência disso, acabaram-se os cinemas de rua e começaram a surgir as grandes redes, como o Cinemark - pioneira no Brasil, com seus multiplex em shoppings center, com grande número de salas reunidas em um só lugar, dando opções de escolha ao espectador, além das salas premier,com poltronas especiais.O cinema continua sendo a maior diversão e o prazer de uma exibição, numa sala escura, é incomparável, pois até o ritual de preparativos e o deslocamento para ir ao cinema, já cria uma expectativa prazerosa.





O tempo passou e, anos depois, me encontro com Luiz Edmundo no supermercado que me convida para uma exibição de filmes, na tarde de um sábado - 12 de julho de 2008 - no Auditório Lourival Baptista, alugado pelo mesmo, para este evento. Lá, chegando, qual não foi minha surpresa em encontrar amigos da mania de projetar. O técnico Sr. Rocha, hoje com 92 anos, que, pacientemente, muitas vezes consertou nossas máquinas; Raimundo, fotógrafo profissional e também possuidor de projetor em sua cidade Tobias Barreto; e seu Celso, projecionista aposentado do Cine Aracaju, dentre outros. Chamou-me a atenção, a qualidade da projeção e o tamanho da tela num formato perfeito de cinemascope (o Luiz me explicou que a tela do Teatro pertencia ao cinema Vitória, que existia na Rua 24 horas e que, quando do seu fechamento, foi transferida para aquele Teatro). Luiz mantém até hoje o prazer de projetar, possuindo duas máquinas muito bem conservadas, da marca Terta Sound, com qualidade perfeita, de som e imagem, igualzinha a de um cinema de verdade. Conversando com o mesmo durante o intervalo entre um filme e outro, relembramos juntos quando ele ia ao cinema, sentava na sala de projeção e ficava olhando para trás, ouvindo o barulhinho do projetor e vendo aquela luz saindo da lente pelo buraquinho da cabine, fazendo-o ficar curioso para entrar naquela lugar e ver como tudo aquilo funcionava, reportando-nos ao filme Cinema Paradiso (1988) de Giuseppe Tornatore. Na época, éramos o Totó do filme. Tempos depois o Luiz já conhecia todos os projecionistas do centro da cidade, tendo trânsito livre em diversas cabines, como a do Cinema Guarany em seus últimos dias. O mesmo já mexia nos projetores, colocando filme e acionando o dispositivo que fechava o foco do projetor na mudança de parte. Hoje é ele quem conserta os seus projetores, desmonta e monta, sem precisar da ajuda do técnico e amigo seu Rocha. É, o Luiz tem um cinemark em casa. Esse Luiz é um privilegiado, esperando os netos para mostrar essa máquina mágica, que roda dois grandes carretéis de onde sai uma luz de uma lente, fazendo passar numa janelinha, uma fita de celulóide a 24 quadros por segundo, chegando juntamente com o som, a uma grande tela branca (ao redor só escuro), onde tudo pode acontecer. Toda essa engrenagem cada dia será mais rara, pois até o cinema de 35 mm já vem passando por um processo de mudança muito rápido. Daqui a um tempo o mesmo passará a ser digital e via satélite, igualzinho ao Pay Per View da Tv de assinatura, com somente uma diferença - o tamanho da tela - coisa que as fábricas de televisão já estão providenciando rapidamente, além dos já popularizados Home Theater, que era nosso cinema em casa de antigamente.


Ver vídeo que registra o evento e vinheta da Condor Filmes


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