Crítica | Luzes da Cidade
Por Rafael W. Oliveira
Charlie Chaplin é um dos nomes mais conhecidos do cinema, se
não o mais. Suas obras variam desde a crítica social severa e pontual, até os
toques de amor e sensibilidade. Seu personagem Carlitos é, sem dúvida alguma, o
mais conhecido da história e sua forma de fazer cinema é aclamada até os dias
atuais. Trata-se de uma das carreiras mais sólidas e brilhantes, um nome
marcado na história não só do cinema, mas também da própria humanidade. Chaplin
que era um crítico social de marca maior, um idealista – termo que erroneamente
é taxado de forma pejorativa, num país em que malandragem é sinônimo de
sabedoria – era também um romântico sensível e cativante. O filme Luzes da
Cidade comprova tal afirmativa e não me deixa cair em descrença. Lançado em
1931, a obra continua bela e sensível. Com certeza, estamos falando de uma
película eterna.
A paixão de um vagabundo por uma pobre florista cega, que
acredita que ele é um milionário, o motiva a fazer o possível e o impossível
para melhorar a vida de sua amada. Nutrido de um amor platônico, Carlitos se
dedica neste objetivo, sendo capaz de se envolver nas maiores encrencas para
obter o resultado desejado. Por ironia do destino, ele se aproxima de um
milionário, que tentara o suicídio e fora salvo por ele, afim de arranjar
algumas maneiras para ajudar a moça, mas nem sempre consegue o que deseja. Ao
descobrir que um Médico havia descoberto a cura para a cegueira, Carlitos fará
de tudo para conseguir o dinheiro necessário para a operação, mesmo que para
isso ele precise trabalhar ou até mesmo lutar boxe.
Luzes da Cidade é simples. A obra dialoga de forma pura,
verdadeira e sensível. Somos tomados por um misto de sentimentos que variam
entre risadas e choros, uma verdadeira overdose de genialidade, uma genialidade
simples e cativante. Durante o processo de transição do cinema mudo para o
cinema falado, Chaplin continuou produzindo filmes mudos por mais treze anos, e
a obra de 31 se enquadra neste período. Mas neste filme, Charlie utilizou
alguns artefatos sonoros na composição da película, como por exemplo, na cena
do apito, ou na cena da luta de boxe.
A trilha sonora de Luzes da Cidade, composta pelo próprio Chaplin,
se agrupa de forma extremamente harmoniosa, um casamento perfeito entre
sonoridade e imagem. As atuações são fantásticas. A forma como os personagens
se expressam é de uma pureza imensa, é algo que só pode ser vindo d´alma. A
cena final é um dos momentos mais sublimes da história da sétima arte. Enfim,
são apenas alguns aspectos de uma obra perfeita. Mas Luzes da Cidade é sensível
de forma extrema, é um filme grandioso demais para ser definido por palavras, é
muito mais fácil senti-lo: é simples e genial como o próprio Chaplin.
Texto reproduzido do site: planocritico.com

Nenhum comentário:
Postar um comentário