terça-feira, 17 de março de 2026

Filme: "O Agente Secreto" (2025), de Kleber Mendonça Filho


Equipe do filme O AGENTE SECRETO em Los Angeles,
 em 15 de março de 2026
Foto compartilhada de post do Facebook/Vitrine Filmes

segunda-feira, 16 de março de 2026

Crítica do filme: "O Agente Secreto"

Artigo compartilhado do site CRÍTICOS, de 12 de novembro de 2025

O AGENTE SECRETO

De: KLEBER MENDONÇA FILHO

Com: WAGNER MOURA, ROBÉRIO DIÓGENES, TÂNIA MARIA

Por Marcelo Janot

Maestria e um senso de observação fora do comum de aspectos singulares da brasilidade.

“O Agente Secreto”, filme de Kleber Mendonça Filho que venceu os prêmios de direção, ator e da crítica internacional no Festival de Cannes, se passa durante o período da Ditadura Militar, no Carnaval de 1977, em Pernambuco. Wagner Moura interpreta Armando, que se esconde sob o codinome Marcelo, um professor e pesquisador universitário que retorna ao Recife e descobre que está jurado de morte por um empresário do setor energético com fortes ligações com o governo.

A cena inicial mostra Armando abastecendo seu Fusquinha amarelo em um posto de beira de estrada, onde jaz um cadáver coberto com jornal e moscas voando ao redor. Logo em seguida chega uma patrulha da Polícia Rodoviária, que ignora o cadáver e tenta arrumar a todo custo um pretexto para arrancar algum dinheiro dele. Como toda a documentação e equipamentos do carro estão em dia, eles se contentam com o resto de um maço de cigarros e partem, abandonando o corpo putrefato.

O prólogo é importante para reforçar aspectos característicos da brasilidade – a corrupção, o abuso de autoridade e a banalização da violência – que permanecem vivos nas relações entre o poder público e o cidadão. Essa é apenas a primeira ponte que o diretor vai estabelecer entre o Brasil do período da ditadura e o presente.

“O Agente Secreto” se soma a “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, como um reforço importante na preservação, pelo viés da ficção de excelência, da memória de um período tenebroso da história brasileira que parte da população ainda desconhece ou se recusa a conhecer. É verdade que, mesmo terminada a ditadura, muita coisa permanece idêntica, como a violência policial arbitrária e sem limites, e os privilégios de classe. O filme reforça essa ligação, com policiais desovando cadáveres no rio, ou na cena em que uma mulher rica tem uma série de regalias ao prestar depoimento na delegacia sobre a morte do filho da empregada, que estava sob os cuidados dela quando foi atropelado. A referência é clara a uma tragédia real e recente: a morte do menino Miguel após a queda do nono andar em um prédio de luxo no Recife em 2020. A ré, patroa da mãe da criança e casada com político influente, segue em liberdade.

Há também uma outro aspecto caro ao diretor, que jamais nega o seu passado de crítico, que são as referências cinematográficas que a todo instante surgem na tela e a importância deixada pela memória dos cinemas de rua, algo que foi tema de seu documentário “Retratos Fantasmas”. Por isso, no novo filme, o tradicional cinema São Luiz, no Centro do Recife, tem mais do que o status de locação onde passam filmes como “Tubarão” e “A Profecia”: ele é praticamente um personagem.

A tradição oral, pela reprodução da lenda urbana da Perna Cabeluda (também citada por Chico Science na letra de “Banditismo Por Uma Questão de Classe”), abre uma brecha para que Kleber insira uma referência ao cinema fantástico que sempre povoou sua obra. Ou seja, para além da história envolvente de um sujeito jurado de morte sob um regime de exceção que tenta se conectar com seu passado, há uma ambição em juntar tantos elementos que eventualmente algum acaba soando deslocado. A participação do ator alemão Udo Kier, por exemplo, não acrescenta nada, mas é tão curta que não chega a incomodar.

Mas o conjunto é bem acima da média. O pernambucano Kleber se vale de sua familiaridade com o Recife, onde nasceu e cresceu, para mais uma vez expressar com maestria e um senso de observação fora do comum os aspectos singulares da brasilidade. Isso pode ser visto em detalhes como um violento delegado trabalhando ainda com restos de confete e marcas de batom espalhados pelo corpo – afinal, é Carnaval. A ambientação de época é impecável no resgate da textura visual e musical do período, e o filme conta com um elenco primoroso, do protagonista Wagner Moura a uma constelação de coadjuvantes, em que brilham quase todos. O delegado de Robério Diógenes e a atriz Tânia Maria (a senhorinha que dá refúgio aos perseguidos), que havia feito uma participação em “Bacurau”, roubam a cena em inúmeros momentos.

O único porém fica por conta dos trechos contemporâneos da trama, a começar pelo fato de que as jovens atrizes que escutam as fitas cassete que estabelecem a ligação com o passado têm um desempenho abaixo do restante do elenco. Até mesmo Wagner Moura é menos convincente quando ressurge em outro papel. Pode-se compreender o anticlímax no desfecho como algo proposital, para criar um distanciamento entre o espectador e o relato ficcional, alertando para a realidade do presente. Mas o efeito pode ter sido o oposto, já que a sequência perde o impacto desejado ao pecar pelo excesso de didatismo. A esta altura, porém, a tendência é que o espectador já esteja “ganho” pelo encantamento que “O Agente Secreto” provoca. Os prêmios em festivais e as reações entusiasmadas são, portanto, plenamente justificáveis por este belo filme.

Texto e imagem reproduzidos do site: criticos com br

90 Anos de José Mojica: o mestre do terror...

Foto reproduzida do site [atanews com br] e postada 
pelo blog Cinemateca da Saudade, para ilustrar o presente artigo

Artigo compartilhado do blog GETEMPO/INFONET, de 12 de março de 2026

90 Anos de José Mojica: o mestre do terror que assombrou a Ditadura

Por Osnar Gomes dos Santos

Doutor em História pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

Professor da Rede Pública do Estado da Bahia

Se vivo, no dia 13 de março de 2026, o cineasta José Mojica Marins, criador do icônico personagem Zé do Caixão, completaria 90 anos de idade. Nascido numa sexta-feira 13, Mojica pode ser considerado o pai do cinema de terror nacional.

Lamentavelmente, muitos desconhecem que por trás do personagem Zé do Caixão, existia um cineasta talentoso, com a capacidade de gerar arrepios na ditadura militar brasileira.

Seu primeiro filme, A Sina do Aventureiro (1958), bebeu das fontes do faroeste ibero-italiano. Gradativamente, Mojica enveredou para o cinema de terror. No ano de 1964, dirigiu e atuou no clássico À Meia-Noite Levarei Sua Alma. Foi neste longa que surgiu Zé do Caixão, o seu personagem mais conhecido.

Para driblar a falta de recursos, usou da criatividade. Entre efeitos práticos improvisados, o cineasta projetou nas telas uma atmosfera de tensão e medo. Não por acaso, foi chamado de gênio por Glauber Rocha. Este, costumeiramente, pedia a Mojica avaliações sobre os seus filmes.

Parte da crítica especializada notou referências à filosofia de Nietzsche no personagem Zé do Caixão. O curioso é que Mojica não tinha qualquer tipo de formação cinematográfica. Seu pai era gerente de um cinema, o que explica a sua aproximação – desde a mais tenra idade – com a sétima arte.

Porém, a “arapongagem” da ditadura militar foi implacável com o nosso aniversariante. Não deixa de ser tragicômico que o regime que torturava e desaparecia corpos no mundo real tenha considerado a filmografia de Mojica “imoral”, “violenta” e “contrária aos dogmas cristãos”.

Apesar de ser banido em vários estados, À Meia-Noite Levarei Sua Alma fez um sucesso estrondoso, levando Mojica a emplacar uma continuação para o longa. Eis que, no ano de 1967, foi lançado Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver. Mais um sucesso espetacular, que tornou o personagem Zé do Caixão uma espécie de símbolo da cultura popular brasileira.

Contudo, o filme sofreu diversos cortes. Até mesmo falas tiveram de ser substituídas por imposição da censura. Os censores exigiam que o personagem fosse “convertido” no desfecho da trama.

Na cena final, Zé do Caixão teria que admitir a existência de Deus para mitigar os efeitos da mensagem do filme, considerada pelos censores “herética” e parte de um “horror materialista” dirigido por um “satanista subversivo”.

O pior ainda estava por vir. O seu novo filme, O Ritual dos Sádicos (1971) – que três décadas depois se tornou um clássico cultuado no exterior -, foi interditado pela ditadura. Ou seja, o filme foi banido de todas as salas de cinema do país! O gesto autoritário arruinou a carreira de Mojica como cineasta.

Ainda que outros títulos de horror tenham sido trabalhados por ele na década de 1970, nunca conseguiu repetir os feitos de outrora. Além disso, para pagar as contas, Mojica precisou enveredar pelos tortuosos caminhos das pornochanchadas.

O prestígio como cineasta só foi recuperado na década de 1990, quando os seus filmes ganharam projeção internacional. O personagem Zé do Caixão foi aclamado no exterior. Por lá, recebeu a alcunha de “Coffin Joe”.

Atualmente, no Brasil, poucos conhecem o criador Mojica; apenas lembram da sua criatura Zé do Caixão. E muitos outros passaram a concebê-la como uma criatura meramente pitoresca – de unhas longas – perdida em programas burlescos de auditório.

É preciso que haja uma reparação destes personagens da cultura brasileira, tantas vezes incompreendidos. Que as vítimas da sanha autoritária sejam devidamente conhecidas pelas novas gerações, a fim de que o olhar crítico e a sensibilidade para a arte não sejam novamente obscurecidos pela indigência do autoritarismo que ainda teima em nos assombrar. Um viva a José Mojica Marins!

Texto reproduzido do site: infonet com br/blogs/getempo

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Robert Duvall, morre aos 95 anos

Publicação compartilhada do site G1 GLOBO, de 16 de fevereiro de 2026 

Robert Duvall, ator lendário de 'O poderoso chefão', morre aos 95 anos

Americano venceu o Oscar por 'A força do carinho' e foi indicado outras seis vezes.

O ator lendário Robert Duvall morreu aos 95 anos, neste domingo (15). A notícia foi divulgada nesta segunda-feira (16) por sua esposa, Luciana. A causa da morte não foi revelada.

Vencedor de um Oscar por "A força do carinho" (1983), o americano era conhecido pelos dois primeiros "O poderoso chefão" e diversos outros clássicos do cinema.

No total, ele recebeu sete indicações ao prêmio da Academia de Hollywood.

"Ontem nos despedimos do meu amado marido, amigo querido e um dos maiores atores do nosso tempo. Bob morreu em casa, de forma tranquila, cercado de amor e carinho", escreveu a atriz, em publicação no Facebook.

"Para o mundo, ele era um ator vencedor do Oscar, diretor e contador de histórias. Para mim, ele era tudo. Ele amava profundamente o que fazia e também os personagens que interpretava. Gostava de uma boa refeição e de estar com as pessoas, conversando e compartilhando momentos. Em cada papel, Bob se dedicava totalmente aos personagens e à verdade humana que eles representavam. Assim, deixou algo duradouro e inesquecível para todos nós."

Ao longo de uma carreira de mais de sete décadas no teatro, na TV e no cinema, Duvall estrelou filmes icônicos como "A conversação" (1974), "Rede de intrigas" (1976), "Apocalypse now" (1979) e "Um homem fora de série" (1984).

Sua última indicação ao Oscar aconteceu no drama de tribunal "O juiz" (2015), no qual contracenou com Robert Downey Jr. e Billy Bob Thornton. Em entrevista ao g1, em 2018, o ator disse que considerava Duvall um mentor.

"Este é um dos caras que eu estudei muito quando era jovem. Ele me ensinou muito. Me ensinou que há uma diferença entre 'sutil' e 'entediante'. Me ensinou que não há esse negócio de 'exagerado', desde que seja real. Muitas coisas", afirmou Thornton.

Depois de começar uma carreira no teatro nos anos 1950, ele foi revelado no cinema no começo dos anos 1970, nos filmes "M*A*S*H" (1970) e "THX 1138" (1971), estreia de um jovem George Lucas como diretor.

Logo em seguida, ganhou o papel que o alçou ao estrelato com o público e com a crítica. Tom Hagen, braço direito do chefe mafioso de "O poderoso chefão" (1972), lhe valeu sua primeira indicação ao Oscar.

Ele voltou ao personagem na continuação, mas não apareceu na conclusão da trilogia por um desentendimento com os produtores em relação ao pagamento.

"Eu falei que trabalharia facilmente se pagassem a (Al) Pacino o dobro do que me pagavam. Tudo bem. Mas não três ou quatro vezes, que era o que eles pagavam", afirmou Duvall em entrevista ao programa "60 minutes", em 2004.

A vitória no prêmio da Academia, como melhor ator, aconteceu com a performance como uma ex- estrela da música country que destrói a carreira e a relação com sua esposa e sua filha por causa do alcoolismo no drama "A força do carinho" (1983).

Seu último trabalho como ator em um filme foi uma participação em "O pálido olho azul" (2022), mistério estrelado por Christian Bale.

Texto reproduzido do site: g1 globo com/pop-arte/cinema

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Filme: “Marty Supreme” (2025), de Josh Safdie


Cinemas passam por transformações...

Artigo compartilhado do site REVISTA MERCATUS, de 27 de junho de 2018

Cinemas passam por transformações e voltam as cidades do interior

Por Lucas Honorato

Os cinemas de rua foram migrando para os shoppings center a partir da década de 1990. Com isso, as cidades do interior perdiam esses espaços de entretenimento e apenas voltariam salas de exibição anos mais tarde

Os cinemas migraram para os shoppings centers e atualmente os dois termos são considerados praticamente sinônimos (Foto: Lucas Honorato)

Por vários anos, os espaços de exibições cinematográficas estavam localizados nas regiões centrais das capitais, em bairros circunvizinhos e em cidades do interior do estado. A combinação entre expansão dos shoppings centers pelo país; perda de significação daquelas localidades; e surgimento de mídias, aparelhos de exibição domésticos e videolocadoras contribuiu para a redução do público que frequentava esses espaços, culminando no encerramento das atividades dos conhecidos cinemas de rua. As salas de exibição migraram para os novos centros comerciais.

Mas essa migração foi desigual e centralizou os espaços de exibição em algumas poucas localidades, assim como ocorreu em terras sergipanas. Os diversos cinemas que existiam na região central da capital como o Cine Palace, Cine Teatro Rio Branco e Cine Vitória, tiveram seus tempos áureos até que o Centro de Aracaju perdesse o brilho que possuía, a cidade se expandisse e as famílias que ali frequentavam passassem a residir em outras localidades. No interior do estado, os fatores que culminaram no fim das atividades também estão atrelados a queda de público, a pouca diversidade de filmes e posteriormente às fitas de vídeo VHS.

Diante desses cenários, em cada última noite, o cinemas iniciaram seus projetores e, ao final das sessões, apagaram as luzes e fecharam as portas, dessa vez em definitivo. A partir de 1989, com a inauguração do primeiro shopping de Aracaju, no bairro Coroa do Meio, vieram as duas primeiras salas de cinema dentro de um centro comercial sergipano. Acontecimento que traria nos anos seguintes o conceito de multiplex — vários cinemas reunidos em um único local, um complexo — para o estado.

A capital crescia. No ano de 1997 foi inaugurado o segundo shopping, a poucos quilômetros do outro, no bairro Jardins. Dois anos após, a maior rede de cinemas do país, a norte-americana Cinemark desembarcava no Nordeste. O primeiro sistema multiplex da rede na região trouxe nove novas salas de cinema para Aracaju. Diante da chegada da nova rede, o primeiro shopping construiu um novo complexo com cinco salas inauguradas em 2003. A administração ficou por conta da rede Moviecom.

As cinco novas salas foram construídas no modelo stadium — em formato de arquibancada. Diante da inovação, três das nove salas da Cinemark foram reconstruídas no mesmo padrão. De 2003 até janeiro de 2013, a quantidade de salas, no chamado circuito comercial — excetuando-se as salas destinadas aos filmes de arte, ou do circuito alternativo — continuou sendo a mesma em todo o estado. Os dois shoppings possuíam as 14 salas.

Ironicamente, cinco anos após a inauguração, com a queda na movimentação, aquele encerramento das atividades aqui narrado para os cinemas de ruas, também repetiu-se em 2008. Naquele momento, após cinco anos de funcionamento, as então modernas salas stadium do Moviecom foram fechadas e a rede deixou o estado. Por um ano, Sergipe retornou as nove salas, reabertas em 2009 pela Cinemark.

Novas salas, expansão e reformas

Com o passar do tempo novas tecnologias foram sendo agregadas à produção e exibição cinematográfica. A palavra stadium praticamente passou a ser suprimida, pois as novas salas já eram construídas apenas em formato de arquibancada. Os filmes ganharam novos formatos de projeção, como a projeção digital e os efeitos em três dimensões (3D) que criam a ideia de profundidade ou de objetos vindo para fora da tela. No entanto, em Sergipe, a quantidade de salas continuava a mesma e presentes apenas na capital.

Depois de vários anos, eis que surgiu o primeiro cinema fora da capital: na Região Metropolitana, em Nossa Senhora do Socorro. Em outubro de 2011, foi inaugurado o Shopping Prêmio. No ano de 2013, o empreendimento passou por uma ampliação que trouxe quatro salas da rede Cinesercla. Após uma década, o total de salas de cinema passou para 18 em Sergipe.

Mas ainda faltavam outras localidades do estado. Apenas pouco mais de três anos depois da chegada do Cinesercla é que, nessa nova fase dos cinemas, as primeiras salas do interior de Sergipe foram inauguradas. Em abril de 2016 foi a vez de Nossa Senhora da Glória, distante 126 km da capital. O Grupo MobiCine trouxe duas salas para o mini-shopping da cidade, o Avelan Shopping.

Posteriormente, com a inauguração do primeiro shopping do interior do estado, o Shopping Peixoto, a cidade que recebeu um complexo de cinemas foi Itabaiana, a 54 km da capital. A partir de junho de 2017, a CineLaser abriu seu maior complexo e levou para a cidade serrana quatro salas de cinema.

Nesse meio tempo, os complexos localizados na capital passaram por modernização tecnológica e reformas visuais. O hall de entrada foi reformulado, adotando as novas cores e padrão de disposição das bilheterias utilizados pela Cinemark em seus novos complexos. As salas também ficaram similares às de um cinema recém inaugurado. A rede substituiu os revestimentos das paredes e as luminárias das salas.

Com o surgimento de novos projetos de shoppings centers, tanto na capital quanto no interior, a perspectiva é que haja um aumento no número de salas de cinema no estado. Para Aracaju há dois novos empreendimentos previstos, um em construção na zona norte com sete salas; e outro, em fase de aprovação de licenças, na zona de expansão, com cinco salas. No interior, a próxima cidade a ganhar um shopping center e, por consequência, salas de cinema é Lagarto. O projeto contempla cinco salas.

Mesmo ainda sendo um cenário em processo de montagem, com as novas telas estando — aparentemente — um pouco longe de serem vistas pelo público; a presença dos complexos de cinema continuará sendo ampliada, na capital e no interior do estado. Atualmente, são 20 salas em operação. Com as 17 idealizadas nos projetos de novos shoppings centers, esse número chegará a pelo menos 37 salas de cinema no estado.

Texto e imagem reproduzidos do site: medium com/revista-mercatus

O cinema seduz o menino Benjamim

Artigo compartilhado do site FAXAJU, de 19 de janeiro de 2026

Coisas de cinema: O tarzan que mudou a vida de Benjamim de Souza Alves

Por Carlos Modesto *

O cinema seduz o menino Benjamim

Nos anos de 1930, o cinema continuava sendo o melhor entretenimento que a humanidade tinha para apaziguar os dramas da vida, aliviar as dores e alegrar os momentos tristes de cada um. Seus filmes empolgavam as massas de qualquer país, a fazendo sonhar com as películas de faroeste, aventura, drama e os famosos seriados. Um tipo especial de filme fez as crianças de todo mundo sonharem com o personagem de Edgard Rice Burroughs: Tarzan.

Nesse marcante ano de 1935, com a idade de 12 anos, na véspera da tradicional festa do Bonfim que geralmente ocorria no último sábado do mês de janeiro, na capela e no largo do bairro do mesmo nome, o menino Benjamim foi aos festejos, acompanhado de uma vizinha, amiga da sua mãe. Num certo momento, a senhora largou a mão do Benjamim e o menino saiu em disparada pela beira do rio Piauítinga, indo direto para o Cinema São João, que ficava na Rua Capitão Salomão, no centro da cidade, local de entretenimento predileto da gurizada e que lhe havia aguçado a curiosidade, sem saber que ali marcaria para sempre o seu destino. Chegando à casa de espetáculos. Adquiriu o ingresso por 500 réis – que sua mãe lhe dera para comprar doces. Dentro do cinema, o adolescente ficou logo encantado com as imagens do filme que viu. O título eraTarzan, o filho das selvas, (MGM. 1932) com o inesquecível ator e ex-campeão olímpico mundial de natação Johnny Weissmüller (1904-1984), o mais famoso Tarzan da tela. O cinema o seduzira, apaixonou-se imediatamente pela Sétima Arte. Quando a projeção terminou, Benjamim despertou para a realidade e ficou pensando o que iria encontrar em casa, pois já era, mais ou menos, nove e meia da noite. Ao chegar, viu sua mãe aflita, chorando muito. Assim que ela o avistou, foi logo pegando uma corda e deu-lhe uma tremenda surra. Naquela noite, o menino não conseguiu dormir, pensando no filme e na surra que levou. As marcas deixadas em seu corpo e o sofrimento do castigo bem que valeram pela alegria que havia sentido durante a beleza da projeção do filme assistido. Tudo isso tinha acontecido num sábado, que jamais foi esquecido.

No dia seguinte pela manhã, Benjamim foi ao São João para ver se encontrava o seu par de tamancos que havia esquecido na geral do cinema. Por sorte, encontrou a casa de diversão aberta com um rapaz apelidado de João Barriga, varrendo o salão que logo encontrou seus tamancos devolvendo-os e depois indagou-lhe se ele gostava de cinema, Benjamim respondeu afirmativamente.

O rapazola perguntou=lhe se haveria alguma possibilidade de ele varrer o cinema para entrar gratuitamente. “Deixo! Disse João”. Benjamim, imediatamente, pediu a vassoura, Nisso. chegou um homem magro de estatura mediana, para conversar com o João Barriga, e depois foi embora. Benjamim, com sua curiosidade infantil, procurou saber quem era aquele homem, e João respondeu que era o Sr. Diógenes, o proprietário do cinema. Já era meio-dia quando o adolescente terminou de varrer o cinema. Ao sair, falou ao João que retornaria pela tarde para rever o filme de Tarzan que ele havia visto na noite anterior. Ao chegar à casa, sua mãe estava novamente zangada, Benjamim contou-lhe o ocorrido e ela então o deixou ir à matinê.

Todos os domingos, o rapazote ia varrer o salão do cinema e, como de costume, o Sr. Diógenes comparecia para conversar com o João Barriga. Num certo domingo, e vendo sempre aquele rapazola varrendo o interior do cinema, Diógenes aproximou-se dele e questionou-lhe se trabalhava e de quem era filho, recebendo a resposta de que era empregado do comerciante árabe Abdon Uehbe e que seu pai era o Sr. Benício, funcionário da Prefeitura. Então, Diógenes convidou-o para empregar-se em seu estabelecimento de secos e molhados e como bilheteiro do cinema, Benjamim respondeu euforicamente “sim!” Diógenes orientou para que o procurasse no dia seguinte. Transbordando de alegria, o adolescente foi imediatamente contar aos pais a proposta de Diógenes. Nesse mesmo domingo, acompanhado do seu genitor, foi até a residência do Sr. Abdon para conversar e agradecer-lhe pelo tempo que seu filho ficou empregado na sua loja. Na segunda-feira, Benjamim começou a trabalhar no empório do Sr. Diógenes durante o dia e. à noite, ia para a bilheteria do cinema vender ingressos.

A cabine do cinema era o seu sonho de um dia ser operador

Os dias ia passando, e o adolescente ficava sempre com a mente no aparelho de projeção, a última peça da “fábrica dos sonhos”. Numa certa noite, ao fechar a bilheteria e após a prestação de contas de umasoirée, a curiosidade era tanto que subiu a cabine de projeção para pedir ao operador, seu colega e amigo João de Deus Pitangueira Vilanova – que foi responsável pela projeção do Cinema São João durante muitos anos – para mostrar-lhe como se projetava um filme. Assim sendo, durante as sessões de cinema, Benjamim subia à cabine, para observar todas as engrenagens do projetor cinematográfico, estudando, minuciosamente, o trajeto da película, saindo do carretel superior, passando pela janela em posição invertida (o que intrigava o adolescente), para depois ser puxada pela cruz de malta e estabilizada pelos debitadores           (roletes            guias)  até       chegar ao        carretel            inferior.            Treinou,          paciente          e apaixonadamente, na colagem da fita partida e no enrolar e desenrolar das partes dos filmes, cujo domínio da técnica suplantou depois a do mestre João de Deus Pitangueira. O discípulo sempre recordou com carinho e gratidão o empenho paciente desse grande operador e amigo que foi o professor que lhe ensinou a técnica cujo conhecimento foi para ele motivo de orgulho até o final de sua vida.

O nascimento da técnica

Em 1937, Benjamim já com 14 anos. Numa noite de domingo, o Cinema São João estava superlotado e o projecionista João de Deus faltou ao serviço. O Sr. Diógenes, bastante nervoso, colocando as mãos na cabeça, andava de um lado para o outro, sem saber o que fazer, vendo chegar a hora para o início da projeção. Diante do apavoramento do patrão, Benjamim aproximou-se dele e falou:

–   Sr. Diógenes, faça o favor!

–   Diga, Benjamim…

–   Bote seu amigo Zico pra ficar na bilheteria que eu vou passar o filme.

–   Benjamim, você é doido? Você conhece desse negócio?…

Após explicar ao chefe o que acontecia todas as noites, os dois subiram até a cabine e o filme foi projetado com a maior perfeição. Benjamim recebeu do Diógenes um enobrecedor agradecimento e a promessa no futuro, de ser adquirido outro aparelho para ele tomar conta, pois naquele tempo, só existia um projetor e as sessões eram paralisadas para a troca dos rolos dos filmes. Quatro anos depois, em 1941, Diógenes cumpriu o prometido, comprando uma nova máquina. A antiga ficou com João de Deus e a nova com Benjamim. Este naquele momento, deixou de ser bilheteiro e foi oficializado na profissão de operador cinematográfico. Tinha 17 anos de idade.

A partir dessa data o Benjamim continuou trabalhando no Cinema São João até o seu final como casa de diversão. O cinema foi vendido várias vezes, novos donos foram substituídos e o operador continuou fiel a esse salão de projeção se tornando o maior projecionista de cinema da Estância.

Johnny Weissmüller foi o incentivador que motivou Benjamim

Benjamim foi incentivado a trabalhar no cinema quando viu pela primeira vez o ator Johnny Weissmüller no filmeTarzan, o filho das selvas. Ele foi um nadador olímpico americano de origem austro-húngara que se tornou famoso no cinema ao interpretar o papel de Tarzan em 12 filmes da MGM e RKO Pictures. Depois, também fez o papel na série de filmes de “Jim das Selvas” para a Columbia Pictures.

Muitas coisas, teria a contar sobre a vida desse magistral operador cinematográfico, mas devido ao espaço curto para uma crônica paro aqui, sendo o motivo principal desta matéria

contar apenas a sua entrada no mundo do cinema. Benjamim Alves de Souza deu seu alento final em 28 de novembro de 2017, deixando-nos uma saudade imorredoura.

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* Carlos Modesto é ceneasta, memorialista, escritor, autor dos livros: Sombras da Saudade, A História dos Cinemas da Cidade de Estância; Com Mota, a Bahia Era Uma Festa, entre outros.

Texto e imagem reproduzidos do site: www faxaju com br

De Aracaju a Glória: o prazer de ir ao cinema em Sergipe

Artigo compartilhado do site INFONET, de 17 de julho de 2025

De Aracaju a Glória: o prazer de ir ao cinema em Sergipe

Por Prof.ª Dr.ª Andreza Maynard (Getempo)

Universidade Federal de Sergipe

Grupo de Estudos do Tempo Presente (GET/UFS/CNPq)

Foi-se o tempo em que, para ir ao cinema, os sergipanos precisavam se deslocar até Aracaju ou contar com os antigos cinemas de rua. Atualmente, o estado dispõe de salas de exibição em diferentes cidades, a maioria localizada dentro de shoppings. E, apesar de vivermos na era do streaming, a ida ao cinema permanece como um ritual cultural vivo em Sergipe.

Os cinemas da capital são sinônimo de variedade e conforto. Aracaju oferece uma boa diversidade de salas modernas, como as das redes Cinemark, nos shoppings Jardins e Riomar, e a do Centerplex, no Aracaju Parque Shopping. As estruturas são amplas, climatizadas, equipadas com tecnologia digital e opções em 3D. Os complexos garantem conforto, segurança e lanchonetes bem abastecidas.

Fora dos shoppings, existe o Cine Alquimia, que funciona no Espaço Alquimia Cultural. Com 77 lugares, coloca-se uma opção para quem não quer se deslocar até um lugar com muito barulho e movimento, mas não pode ser enquadrado como um cinema popular.

Para os nostálgicos e os amantes dos cinemas de rua, o Cine Vitória, localizado no centro da cidade, era um verdadeiro oásis cultural. Era o único cinema de rua ainda em funcionamento em Sergipe, voltado para filmes nacionais, produções alternativas e projetos educativos. No entanto, precisou fechar as portas no início de maio deste ano. De acordo com a administração, o motivo foi a quebra do sistema de ar-condicionado. O Cine Vitória aguarda investimentos públicos para sua reforma, manutenção e modernização dos sistemas de climatização, sonorização e projeção.

Durante o isolamento social imposto pela pandemia de Covid-19, em 2020, quando os cinemas convencionais estavam fechados, surgiu a iniciativa de um drive-in, no estacionamento do Museu da Gente Sergipana, na Avenida Ivo do Prado, em Aracaju. Com lotação máxima de 26 carros, as sessões ocorreram entre os meses de setembro e outubro daquele ano.

Diferentemente de décadas anteriores, o interior sergipano também conta hoje com salas de exibição bem estruturadas. Em Itabaiana, o Cine Laser, no Shopping Peixoto, oferece filmes comerciais com tecnologia de ponta. Já em Nossa Senhora da Glória, o Mobi Cine Glória, instalado no Avelan Shopping, firmou-se como uma importante opção de lazer e cultura na região do sertão. Em Nossa Senhora do Socorro, o Cinesercla, no Shopping Prêmio, atende a uma grande parcela da população da Grande Aracaju.

No entanto, sabemos que não basta querer ir ao cinema, é preciso dispor, em média, de 20 a 30 reais apenas para o ingresso. Quando somamos o valor de um combo com pipoca e refrigerante, o passeio cultural se torna ainda menos acessível. A ida ao cinema exige um investimento de tempo e dinheiro que nem todos podem assumir. Apesar do aumento no número de salas em funcionamento no estado, ainda enfrentamos desigualdades no acesso a esse tipo de entretenimento.

As vantagens de frequentar uma sala de cinema são inúmeras. A ida ao cinema hoje é mais do que assistir a um filme, é participar de um ato coletivo de cultura, memória e pertencimento. É rir e chorar ao lado de desconhecidos, encontrar amigos no saguão e criar lembranças em família.

O cinema é cultura viva. No entanto, os altos custos, especialmente quando comparados às mensalidades dos serviços de streaming, que oferecem milhares de títulos, têm afastado o público das salas escuras em todo o Brasil, inclusive em Sergipe.

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet com br

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Fachada do Cine Palace, na rua João Pessoa, em Aracaju-SE.

Antigo Cartão Postal da Cidade de Aracaju-SE.
Destacando o primeiro trecho da rua João Pessoa,
onde vemos a fachada do Cine Palace, no centro comercial.
Acervo do Blog de Eudo Robson de S. Holanda Cavalcanti 
Foto reproduzida do blog: aracajusaudade blogspot com

domingo, 18 de janeiro de 2026

O Cinema em Sergipe

Foto reproduzida do site Aracaju Saudade e postado 
pelo blog, para ilustrar o presente artigo

Publicação compartilhada do site ROACONTECE, de  14 de setembro de 2025  Ritta

O Cinema em Sergipe: Uma História de Emoção, Cultura e Resistência

Por Emanuel Rocha*

No alvorecer do século XX, o cinema chegou a Sergipe, em sintonia com a crescente paixão nacional pelas imagens em movimento. As primeiras projeções eram itinerantes, realizadas em teatros ou espaços improvisados, e maravilhavam o público com sequências mudas, embaladas por música ao vivo. Um momento crucial foi a inauguração do Cine Teatro Rio Branco, em 1909, em Aracaju, tido como o primeiro cinema fixo do estado. O Rio Branco se firmou como um ponto cultural significativo, exibindo filmes silenciosos com acompanhamento de pianistas e pequenos grupos musicais, e introduziu uma nova forma de lazer na capital sergipana.

Com o sucesso do Cine Rio Branco, outras salas emergiram e democratizaram o acesso ao cinema. Na década de 1930, ganharam destaque o Cine Vitória (1934), o Cine Rex (1935) e o Cine Guarany (1938), situados no coração da cidade. Nos anos 1950, a expansão prosseguiu com o Cine São Francisco (1939), no bairro Santo Antônio, o Cine Tupi (1954), na Rua Simão Dias, o Cinema Aracaju (1955), na Rua Laranjeiras, e o moderno Cine Palace (1956), na Rua João Pessoa, perto da Praça Fausto Cardoso.

Outras salas também marcaram época em bairros mais distantes ou em áreas de expansão urbana da época, a exemplo do Cine Bonfim, no Siqueira Campos, e o Cine Vera Cruz, que levaram o cinema para perto das comunidades populares. O Cine Atalaia, ativo até meados dos anos 1950, ficava na antiga Avenida Beira-Mar e se destacou como uma das salas pioneiras fora da área central. O Cine Rio Negro, localizado na esquina das ruas Simão Sobral com João Ribeiro, no bairro Industrial, virou referência para os moradores da zona norte, oferecendo sessões acessíveis.

Por sua vez, o Cine Star, situado entre a Rua Visconde de Maracaju e a Avenida Sanatório, no bairro Cidade Nova, se sobressaiu nas décadas de 1980 e 1990 como uma das últimas salas de bairro em funcionamento, mantendo viva a tradição do cinema popular. O Cine Plaza, na Rua Santa Catarina, completava esse circuito afetivo e simbólico que por décadas fez parte do dia a dia cultural dos aracajuanos. Ainda na década de 1980, começou a construção do Cine América, na Praça Franklin Roosevelt, no bairro América. A obra despertou expectativas entre os moradores da zona oeste da cidade, mas o cinema nunca foi aberto, tornando-se um símbolo do abandono de projetos culturais na cidade.

Apesar de estarem desativados, aqueles antigos cinemas de rua marcaram época em Aracaju como pontos de encontro, diversão e cultura, fixando-se na lembrança dos moradores. Por muitos anos, essas salas exibiram um charme único. Nesses lugares, a cidade ganhava vida: o centro ficava cheio de pessoas bem-vestidas, a expectativa pelos filmes novos animava a praça, e ir ao cinema era muito mais do que se divertir – era um costume social, cultural e afetivo. Mesmo depois que os cinemas dos shoppings surgiram, muitos aracajuanos ainda se lembram com carinho daquelas salas tradicionais, principalmente as do centro, onde a alma da cidade pulsava. Esses cinemas eram o centro da cultura, um lugar onde as pessoas construíam suas memórias juntas, esperando na fila, comendo pipoca, conversando e prestando atenção no filme.

Atualmente, só existe um cinema de rua aberto na capital sergipana: o Cine Walmir Almeida, que fica no Centro de Cultura de Aracaju. Esse cinema mantém viva a tradição de exibir filmes fora dos shoppings, com uma programação que inclui filmes de arte, produções independentes e eventos culturais.

A partir da década de 1990, a forma como as pessoas viam filmes em Aracaju mudou, com o fechamento aos poucos dos cinemas de rua e o crescimento dos cinemas nos shoppings. A mudança nos costumes e o crescimento rápido da cidade levaram o lazer para os grandes centros comerciais, onde os multiplex se tornaram populares. Salas com ar-condicionado, som digital, cadeiras confortáveis e muitos filmes diferentes mudaram o significado de “ir ao cinema”.

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* Emanuel Rocha é historiador, coautor dos livros Bacias Hidrográficas de Sergipe, Unidades de Conservação de Sergipe e Bairro América: A saga de uma comunidade. Também atua como repórter fotográfico e poeta popular.

Texto reproduzido do site: roacontece com br

sábado, 17 de janeiro de 2026

Cinema Vitória

Cinema Vitória, rua Itabaianinha, em Aracaju-SE.
Imagem do Blog de Eudo Robson de S. Holanda Cavalcanti 
Foto reproduzida do blog: aracajusaudade blogspot com

Antigo Cine Plaza, em Aracaju-SE.




Cine Plaza, tinha capacidade para 1.240 pessoas, ficava 
localizado no bairro Siqueira Campos, era de
 propriedade do Grupo J. Queiroz Ltda.
Imagens do Blog de Eudo Robson de S. Holanda Cavalcanti
 Fotos reproduzidas do blog: aracajusaudade blogspot com

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Filme: "Foi apenas um acidente" (2025), de Jafar Panahi




Morre Brigitte Bardot, ícone do cinema francês

Legenda das fotos: Com apenas 21 anos, começando a carreira, ela escandalizou censores e cativou o público (Fotos Reuters)

Publicação compartilhada dosite JORNAL DO BRASIL, de 28 de dezembro de 2025

Devota incansável da causa animal, Brigitte Bardot, ícone do cinema francês, morre aos 91 anos cercada por gatos, cachorros e cavalos

Por CADERNO B com Reuters [redacao@jb.com.br]

A atriz Brigitte Bardot ganhou fama internacional dançando mambo descalça em "E Deus criou a mulher", com seu cabelo bagunçado e energia feroz irradiando um magnetismo sexual raramente visto antes no cinema mainstream.

Um ícone global nasceu.

Com apenas 21 anos, ela escandalizou censores e cativou o público. Sua atuação livre e despreocupada no filme de 1956, filmado por seu marido Roger Vadim, marcou uma ruptura decisivaCA com as heroínas recatadas da era anterior.

Brigitte Bardot, frequentemente chamada na França simplesmente de "B.B.", de quem os últimos anos foram marcados por campanhas pelos direitos dos animais e simpatias políticas de extrema-direita, morreu aos 91 anos, informou sua fundação neste domingo (28). A causa não foi imediatamente divulgada.

'ELA SEGUE SUAS INCLINAÇÕES'

Nascida em Paris em 28 de setembro de 1934, Bardot cresceu em um lar de classe média alta. Ela se descreveu como uma criança tímida e autoconsciente que "usava óculos e tinha cabelo liso".

Aos 15 anos, porém, apareceu na capa da revista "Elle", iniciando uma carreira de modelo que logo a levou ao cinema.

A personagem de Bardot em "E Deus criou a mulher" era a personificação da feminilidade libertada. A controvérsia só aumentou seu apelo. Bardot tornou-se um símbolo da França das décadas de 1950 e 60.

Seu fascínio se estendia muito além do cinema francês. Aos 15 anos, diz-se que Bob Dylan escreveu sua primeira música sobre ela, a nunca lançada "Song for Brigitte", enquanto Andy Warhol pintou seu retrato.

A habilidade de Bardot de subverter papéis tradicionais de gênero a tornou não apenas um símbolo sexual, mas um ícone da cultura pop e um marco para mudanças de atitudes sociais.

Em 1959, Simone de Beauvoir escreveu um artigo para a revista Esquire no qual elogiava o notável senso de liberdade de Bardot. "B.B. não tenta escandalizar", escreveu a filósofa feminista. "Ela segue suas inclinações. Ela come quando está com fome e faz amor com a mesma simplicidade, sem cerimônia. Falhas morais podem ser corrigidas, mas como B.B. poderia ser curada dessa virtude deslumbrante — a autenticidade? É sua própria substância."

De Beauvoir concluiu: "Espero que ela amadureça, mas não mude."

'FUI DECEPCIONADA MUITAS VEZES'

Apesar de sua influência, Bardot achava a vida de celebridade isolante. Ela frequentemente falava sobre ser prisioneira de sua própria fama, incapaz de desfrutar dos prazeres simples da vida.

"Ninguém pode imaginar o quão horrível foi tal provação", refletiu décadas depois. "Eu não podia continuar vivendo assim."

Sua vida pessoal foi moldada por quatro casamentos, casos amplamente divulgados e lutas bem documentadas contra a depressão.

No seu aniversário de 26 anos, ela foi encontrada inconsciente em uma casa na Riviera Francesa após tentar tirar a própria vida. Rumores de outra tentativa de suicídio surgiram anos depois, quando ela misteriosamente cancelou uma festa de 49 anos e apareceu no hospital.

Além de sua atuação, Bardot teve uma carreira musical de sucesso. Suas colaborações com o cantor e compositor Serge Gainsbourg, incluindo a erótica "Je t'aime ... moi non plus" ("Eu te amo ... Nem eu"), recebeu tanto aclamação quanto controvérsia.

No final dos anos 1960, ela modelou para um busto de Marianne, personificação da República Francesa.

Mas ela não encontrou satisfação nos elogios que recebeu.

"Tenho sido muito feliz, muito rica, muito bonita, muito admirada, muito famosa e muito infeliz", ela disse à revista "Paris Match" por volta de seu 50º aniversário. "Fui decepcionada muitas vezes. Já tive decepções terríveis na vida. Por isso escolhi me retirar, viver sozinha."

'ESSA É MINHA ÚNICA BATALHA'

Bardot fez o último de seus 42 filmes em 1973. Desiludida com a indústria, declarou o mundo do cinema "podre" e deixou a vida pública.

"Vou ter dedicado 20 anos da minha vida ao cinema, isso é suficiente", disse ela em uma entrevista na TV na época.

Ela se estabeleceu no elegante resort francês de Saint-Tropez, onde encontrou consolo entre os animais e a paisagem mediterrânea.

Lá, iniciou uma defesa apaixonada do bem-estar animal. "Esta é minha única batalha, a única direção que quero dar a minha vida", disse Bardot em 2013.

Sua devoção aos animais tornou-se lendária. Em 1986, ela fundou a Brigitte Bardot Foundation for the Welfare and Protection of Animals, leiloando souvenirs pessoais no ano seguinte para arrecadar fundos para sua causa.

Bardot apoiou ativistas de destaque, como o ativista anticaça às baleias Paul Watson, e fez campanha vigorosa contra a crueldade animal, às vezes ameaçando deixar a França devido a disputas sobre bem-estar animal.

Quando o ator Gérard Depardieu aceitou a cidadania russa após uma disputa pública com as autoridades francesas, em 2013, Bardot ameaçou fazer o mesmo caso a França eutanasiasse dois elefantes doentes do circo.

Durante grande parte da última parte de sua vida, Bardot viveu sozinha atrás de altos muros em Saint-Tropez, cercada por uma coleção de gatos, cachorros e cavalos.

Essa paixão, ela frequentemente sugeria, era um antídoto para seus relacionamentos decepcionantes.

"Dei minha beleza e minha juventude aos homens", ela disse uma vez. "Vou dar minha sabedoria e experiência aos animais."

'FEMINISMO NÃO É MINHA PRAIA'

À medida que sua defesa se intensificava, também aumentava a reação negativa às suas declarações políticas.

As falas públicas de Bardot sobre imigração, Islã e homossexualidade levaram a uma série de condenações por incitação ao ódio racial.

Entre 1997 e 2008, ela foi multada seis vezes por tribunais franceses por seus comentários, especialmente aqueles direcionados à comunidade muçulmana da França.

Em um caso, um tribunal de Paris a multou em €15.000 ($17.000) por descrever os muçulmanos como "essa população que está nos destruindo, destruindo nosso país ao impor seus atos".

Em 1992, casou-se com Bernard d'Ormale, ex-conselheiro da extrema-direita Frente Nacional, e mais tarde apoiou publicamente os sucessivos líderes do partido, Jean-Marie Le Pen e sua filha Marine Le Pen. Bardot chamou esta última de "a Joana d'Arc do século XXI".

Ainda assim, apesar de suas opiniões polarizadoras, a influência de Bardot perdurou, seja na moda – com a mídia notando retornos regulares de seu penteado característico – ou por meio de documentários e livros de mesa de centro celebrando seu raro impacto no cinema francês.

Questionada pelo canal francês BFM TV, em maio de 2025, se se considerava um símbolo da revolução sexual, ela disse: "Não, porque antes de mim, muitas coisas selvagens já haviam acontecido — elas não me esperaram. Feminismo não é minha praia; Eu gosto de homens."

Na mesma entrevista, foi questionada com que frequência refletia sobre sua carreira no cinema. "Eu não penso nisso", disse, "mas não rejeito, porque é graças a isso que sou conhecida em todo o mundo como alguém que defende os animais."

Texto e imagens reproduzidos dosite: www jb com br/caderno-b

domingo, 28 de dezembro de 2025

Filme: "Valor Sentimental" (2025), de Joachim Trier






Morre Brigitte Bardot: atriz... que revolucionou o cinema... anos 1950

Legenda da foto: Impiedosamente comercializada como um símbolo sexual, Brigitte Bardot colocou o cinema francês no mapa

Publicação compartilhada do site BBC BRASIL, de 28 de dezembro de 2025

Morre Brigitte Bardot: a atriz francesa que revolucionou o cinema nos anos 1950

Author, Sam Woodhouse

Brigitte Bardot, que morreu aos 91 anos, desconstruiu o papel da representação sóbria das mulheres no cinema dos anos 1950, personificando uma nova era de liberação sexual.

Uma publicação já chamou a francesa de "a princesa do beicinho e a condessa do olhar sedutor" — mas essa era uma imagem que ela passou a odiar.

Alvo de um marketing agressivo como um símbolo sexual hedonista, Bardot se frustrou em sua ambição de se tornar uma atriz séria. Por fim, abandonou a carreira para lutar pelo bem-estar animal.

Anos depois, sua reputação foi prejudicada por proferir insultos homofóbicos e por várias multas por incitação ao ódio racial.

Seu filho também a processou depois de ela dizer que preferiria "ter dado à luz um cachorrinho".

Foi uma cicatriz na memória de um ícone que, em seu auge, popularizou o biquíni e o desejo feminino, além de projetar o cinema francês para o mundo.

Educação rigorosa em Paris

Brigitte Anne-Marie Bardot nasceu em Paris em 28 de setembro de 1934.

Ela e sua irmã, Marie-Jeanne, cresceram em um apartamento luxuoso no bairro mais nobre da cidade.

Seus pais católicos e ricos exigiam altos padrões das filhas.

As amizades das meninas eram rigorosamente policiadas; quando quebravam algo, eram chicoteadas como punição.

Com as tropas alemãs ocupando Paris durante a Segunda Guerra Mundial, Bardot passava a maior parte do tempo em casa, dançando ao som de discos.

Sua mãe incentivou seu interesse e a matriculou em aulas de balé desde os sete anos de idade.

Seu professor no Conservatório de Paris a descreveu como uma aluna excepcional, e ela passou a ganhar prêmios.

Vida como uma 'jovem garota'

Mas Bardot achava a vida claustrofóbica.

Ela recordou mais tarde sobre os seus 15 anos: "Eu buscava algo, talvez uma realização pessoal".

Uma amiga da família a convenceu a posar para a capa da Elle, a principal revista feminina da França, e as fotos causaram furor.

Na época, as mulheres elegantes usavam cabelos curtos, combinavam cuidadosamente seus acessórios e usavam jaquetas sob medida e trajes de noite sedosos.

Já os cabelos de Brigitte caíam sobre os ombros. Com o corpo esguio e atlético de bailarina, ela não se parecia em nada com suas colegas modelos.

Retratada com trajes jovens e modernos, ela se tornou a personificação de um novo estilo "jeune fille" ("jovem garota" em francês).

Aos 16 anos, ela se tornou a garota mais famosa de Paris.

Suas fotos chamaram a atenção do diretor de cinema Marc Allegret, que instruiu seu assistente, Roger Vadim, a encontrá-la.

Os testes de tela não foram bem-sucedidos, mas Vadim, que era seis anos mais velho, a acolheu, primeiro como sua protegida e depois como sua noiva.

Eles começaram um intenso romance, mas quando os pais de Bardot descobriram, ameaçaram mandá-la para a Inglaterra.

Roger Vadim, seu 'lobo selvagem'

Em retaliação, ela tentou tirar a própria vida, mas foi descoberta e impedida a tempo.

Brigitte estava apaixonada pelo aspirante a diretor.

Ele parecia para ela um "lobo selvagem".

"Ele olhou para mim, me assustou, me atraiu, e eu não sabia mais onde estava", explicou.

Sob tanta pressão, seus pais cederam, mas proibiram o casal de se casar até Brigitte completar 18 anos.

Assim que esse marco foi ultrapassado, o casal caminhou até o altar.

Tornando-se um ícone

Vadim começou a transformar Bardot na estrela que ele acreditava que ela poderia ser.

Ele vendeu as fotos do casamento deles para a revista Paris-Match e a instruiu sobre como se comportar em público.

Também ajudou sua nova esposa a encontrar pequenos papéis em uma dúzia de filmes menores, muitas vezes interpretando interesses amorosos femininos inocentes.

Mas, até 1956, ela era famosa principalmente por posar de biquíni - até então uma roupa proibida na Espanha, Itália e grande parte da América por estar no limite da decência - e popularizar um penteado colmeia. (beehive hairstyle)

Depois veio o cabelo descolorido e a parte que a tornou uma estrela.

Naquele ano, o filme de estreia de Vadim, E Deus criou a mulher, estreou em Paris. A obra não conseguiu obter lucro na França, mas causou alvoroço nos Estados Unidos.

Em um país acostumado com Doris Day (atriz de Hollywood), Bardot foi uma sensação.

Sua personagem persegue seus apetites sexuais, sem vergonha, como os homens. Ela dança descalça em transe, com a pele brilhando de suor, de cabelo solto.

Sua falta de inibição fez com que a ordem social entrasse em colapso; fora do cinema, a reação foi igualmente intensa.

A existencialista Simone de Beauvoir a aclamou como um ícone da "liberdade absoluta" — elevando Brigitte ao status de filosofia.

Mas a maioria moral americana se mobilizou. O filme foi proibido em alguns estados e os jornais denunciaram sua depravação.

Para o público, Bardot se tornou indistinguível da personagem que ela interpretou. A revista Paris-Match a classificou como "imoral da cabeça aos pés".

E quando Bardot se envolveu com seu colega de elenco, Jean-Louis Trintignant, sua imagem de libertina devassa tornou-se incontornável.

Ela se divorciou de Vadim, que reagiu como só um francês poderia.

"Eu prefiro ter esse tipo de esposa", disse ele, "sabendo que ela é infiel, em vez de possuir uma mulher que simplesmente me amou e mais ninguém".

Ele passou a trabalhar com Bardot novamente e depois morou com Catherine Deneuve e se casou com Jane Fonda.

Uma mãe relutante

Em 1959, Brigitte - depois de vários casos amorosos - casou-se com o ator Jacques Charrier, com quem estrelou Babette Vai à Guerra.

O casal teve um filho, Nicolas, mas Bardot se ressentia da gravidez: repetidamente deu socos no estômago e implorou morfina a um médico para induzir um aborto.

"Olhei para minha barriga lisa e esbelta no espelho como uma querida amiga sobre quem eu estava prestes a fechar a tampa de um caixão", ela lembrou mais tarde.

Após o divórcio, Nicolas não viu sua mãe por décadas.

Ele processou Bardot por danos emocionais quando ela publicou uma autobiografia na qual afirmava que teria preferido "dar à luz um cachorrinho".

Brigitte era agora a atriz mais bem paga da França, com alguns sugerindo que ela era mais valiosa em termos de comércio exterior do que a indústria automobilística do país.

Mas ela queria ser levada a sério como atriz. "Não tive muita chance de atuar", reclamou ela, "na maioria das vezes tive que me despir".

Ela começou a atrair a atenção dos cineastas mais respeitados da Europa, ganhando elogios da crítica no poderoso drama New Wave de Jean-Luc Godard, Le Mépris (Desprezo).

Mas a qualidade geral de sua produção foi variada, especialmente quando ela se aventurou fora da França e em Hollywood.

Um terceiro casamento, com um playboy alemão milionário, foi seguido por uma série de amantes - embora, fugindo ao seu padrão, ela tenha rejeitado Sean Connery.

Ela também gravou dezenas de discos, ao lado de Serge Gainsbourg e Sacha Distel — acrescentando ambos à sua lista de conquistas.

Com Gainsbourg, ela gravou o atrevido Je T'aime... Moi Non Plus, embora ela tenha implorado que ele não o lançasse.

Um ano depois, ele regravou a música com a atriz britânica Jane Birkin. Tornou-se um grande sucesso em toda a Europa, com a versão de Bardot permanecendo em segredo por 20 anos.

Defensora dos direitos dos animais

Depois de quase 50 filmes, ela anunciou que estava se aposentando para dedicar sua vida ao bem-estar animal em 1973.

"Dei minha beleza e minha juventude aos homens", disse ela. "Vou dar minha sabedoria e experiência aos animais".

Brigitte Bardot observando um dos 50 lobos húngaros que resgatou e transferiu para o parque natural de Gevaudan, em Marvejols, França.Crédito,Philippe Caron/Sygma/Getty Images

Legenda da foto,"Vou dedicar minha sabedoria e experiência aos animais", disse Bardot.

Ela arrecadou 3 milhões de francos (então cerca de R$ 2,2 milhões) para estabelecer a Fundação Brigitte Bardot, leiloando suas joias e memorabilia cinematográfica.

Bardot - ou B.B. como era conhecida na França - fez campanha contra o abate anual de focas no Canadá e irritou alguns de seus compatriotas ao condenar o consumo de carne de cavalo.

Ela tornou-se vegetariana, criticou o governo chinês por "torturar" ursos e gastou muito dinheiro em um programa para esterilizar cães de rua romenos.

Um final conturbado para uma vida conturbada

Em seus últimos anos, ela foi processada em várias ocasiões por ódio racial. Ela se opôs à forma como as religiões islâmica e judaica matam animais para comer.

Mas a forma como ela expressou suas críticas foi imperdoável e até ilegal.

Em 1999, ela escreveu que "minha terra natal é invadida por uma superpopulação de estrangeiros, especialmente muçulmanos". Isso rendeu a Bardot uma multa enorme.

Ela passou a criticar os casamentos inter-raciais e insultar os gays que, em suas palavras, "rebolam, colocam os dedinhos no ar e, com suas finas vozes de castrato, reclamam do que aqueles heterossexuais horrorosos os fizeram passar".

Bardot esteve no tribunal com tanta frequência que, em 2008, o promotor declarou que estava "cansado" de acusá-la.

Na década de 1960, Brigitte Bardot foi escolhida como o rosto oficial de Marianne, o emblema da liberdade francesa.

Ela mesma se tornou um ícone: uma mulher bonita, liberta e moderna, que se recusou a se conformar a estereótipos ultrapassados.

Depois de três casamentos fracassados e várias tentativas de suicídio, ela desistiu dos holofotes para fazer campanha contra a crueldade contra os animais. Para sua surpresa, o fascínio da mídia por ela continuou, mesmo quando a fama se tornou notoriedade.

Ela deixou seu quarto marido, Bernard d'Ormale, ex-conselheiro do falecido político de extrema direita Jean-Marie Le Pen.

E, em um fim conturbado para uma vida igualmente conturbada, as opiniões políticas de Bardot fizeram com que ela passasse seus últimos anos quase reclusa, enfrentando nos tribunais acusações de incitação ao ódio racial.

Esta reportagem foi escrita e revisada por nossos jornalistas utilizando o auxílio de IA na tradução, como parte de um projeto piloto.

Texto e imagem reproduzidos do site: www bbc com/portuguese