Cinemateca da Saudade
Memórias de um cinéfilo
quinta-feira, 23 de julho de 2026
Luiz Carlos Barreto, morre no Rio aos 98 anos
segunda-feira, 13 de julho de 2026
Sam Neill, ator de 'Jurassic Park' e 'O piano', morre aos 78 anos
Publicação compartilhada do site G1 GLOBO/POP-ARTE, de 13 de julho de 2026
Sam Neill, ator de 'Jurassic Park' e 'O piano', morre aos 78 anos
Recentemente, ele havia informado que estava recuperado de um câncer após cinco anos de tratamento. Segundo ele, a remissão foi possível graças a uma terapia genética que modificou seu sistema imunológico.
Por Redação g1
O ator neozelandês Sam Neill, conhecido pelo filme "Jurassic Park", morreu nesta segunda-feira (13), em Sydney, na Austrália. A informação foi confirmada por sua família em um comunicado em suas redes sociais.
"É com imensa tristeza que a família de Sam Neill comunica seu falecimento", abre a nota. "Sam estava cercado por seus familiares e partiu com a dignidade que marcou toda a sua vida. A perda foi repentina e inesperada, mas houve o conforto de saber que Sam permaneceu livre do câncer", diz o comunicado.
Com carreira iniciada nos anos 1970, Sam Neill tinha dezenas de trabalhos no cinema e na TV, incluindo a série "Peaky Blinders" e o filme "O Piano".
Recentemente, ele havia informado que estava recuperado de um câncer após cinco anos de tratamento. Segundo ele, a remissão foi possível graças a uma terapia genética que modificou seu sistema imunológico.
Em 2023, Neill escreveu em seu livro de memórias que estava “possivelmente morrendo” após ser diagnosticado com linfoma não Hodgkin em estágio três.
Em entrevista exibida no fim de semana pelo Canal 7 da Austrália, o ator contou que conviveu com a doença por cinco anos e que o tratamento com quimioterapia deixou de fazer efeito. “Eu estava desorientado e parecia que estava de saída, o que obviamente não era o ideal”, afirmou.
Neill passou então por uma terapia conhecida como CAR-T, que utiliza células de defesa do próprio paciente, modificadas em laboratório, para atacar o câncer. “Acabei de fazer uma tomografia e não tenho câncer. É algo extraordinário”, disse.
O ator também pediu que governos federais e estaduais da Austrália ampliem o financiamento desse tipo de tratamento para pacientes com a doença no país.
Texto reproduzido do site: g1 globo com/pop-arte
quarta-feira, 8 de julho de 2026
Spielberg - O que seria do cinema sem ele!
Artigo compartilhado da revista SELECÇÕES
SPIELBERG - O QUE SERIA DO CINEMA SEM ELE!
Por Mário Augusto
A história pessoal de Steven Spielberg cruza-se, demasiadas vezes, com o que decidiu retratar nos seus filmes, mesmo antes de contar a história de família na produção mais pessoal de todas, Os Fabelmans, um dos melhores filmes de 2022. O realizador, verdadeiro Midas de Hollywood, já celebrou meio século de carreira e, sempre que fala de cinema, mesmo aos 76 anos, mantém o ar de miúdo deslumbrado com as histórias que conta.
Não fossem as marcas da idade, aquele seu olhar remete sempre para o rapazinho frágil daqueles que no liceu é alvo da chacota dos colegas de turma – aliás, mostra isso mesmo no filme – mas, ao mesmo tempo, tem nesse olhar de deslumbre o lado do malandreco que parece não fazer mal a uma mosca mas pela calada tem mil e uma ideias para filmes sempre a latejar na cabeça porque a sua vida é feita da paixão maior que é o cinema.
Poucos podem dar-se ao luxo de escrever e filmar os segredos de família, a sua história, como quem justifica de onde vem tanta paixão – Os Fabelmans é uma das produções que marcou o ano, o filme de que se fala.
Tal como Spielberg diz na apresentação que faz antes da projeção nos cinemas, em que agradece a presença de espectadores na sala escura, quis fazer uma homenagem à sua família e ao encanto que tem desde sempre pela sétima arte.
Curiosamente, ele tem tudo menos o ar do líder carismático, digo eu que já o entrevistei várias vezes, é como aquele nosso vizinho da frente que gosta de conversar, contar histórias, é o senhor Spielberg sempre a sonhar com mil e um filmes em simultâneo. Há uns anos – numa visita a Lisboa –, Jeffrey Katzenberg (eles foram sócios e fundadores da Dreamworks) dizia-me: «O Steven... só lhe digo, todo ele é cinema. Pensa tudo numa perspetiva cinematográfica, tudo o que conta tem um enquadramento, uma imagem associada. É incrível! Por cada filme que faz, tem sempre mais trinta para fazer.»
Spielberg é poderoso. Ocupa há muito os primeiros lugares no ranking dos nomes mais ricos e influentes da indústria do cinema, calcula-se que a sua fortuna ronde os 2,5 mil milhões de euros! Justifica-se o poder pela importância que teve na grande mudança da velha Hollywood porque, quando realizou Tubarão, já lá vão uns anos, foi em 1975, criou a fórmula do que hoje se designa como Blockbuster, ou seja, um filme que ultrapassa em pouco tempo a barreira dos 100 milhões de faturação.
UM BOM CONTADOR DE HISTÓRIAS
Nos encontros que já mantivemos, enquanto o entrevistava tornou-se irresistível focar o olhar no estado lastimável das suas unhas, sempre roídas até ao sabugo. Confidenciou-me na altura um seu colaborador que pelo aspeto das unhas se percebe melhor o empenho de Spielberg naquilo que faz e em que pé se encontram os seus projetos. Depois das estreias, e enquanto não começa a rodagem de outro filme, a ansiedade passa e as unhas lá vão crescendo um pouco… Apesar da larga experiência em liderar uma equipa de fiéis colaboradores, os mesmos que o acompanham desde há muitos filmes, diz que sofre muito com a pressão do processo de produção até ao momento de gritar ação, mas acrescenta que isso é bom, essa pressão é boa para a criatividade. O medo de falhar, ou não ficar como esperava, é a sua energia nuclear que depois de tudo pronto arrasta-nos para dentro de cada filme que faz, onde há sempre aquela magia que se agarra a quem vê para lá da simples projeção de contar uma história.
É assim desde os primeiros filmes. Quando rodou Tubarão, mesmo no início da carreira, os problemas eram tantos e as avarias do peixe mecânico tão constantes que teve que filmar muitas das cenas sem tubarão, usou a técnica que o cinema lhe ensinou, em particular Hitchcock, criar medo sem mostrar a razão do medo, a dinâmica de realização e montagem criou dessa forma um clássico de suspense, denegrindo para sempre a imagem dos tubarões.
Spielberg parece um tipo simples. Fala com paixão dos seus filmes e do cinema em geral. Há pelo menos 30 livros a contar a vida do miúdo franzino descendente de judeus emigrantes da Rússia que na escola não jogava futebol, preferindo esconder-se atrás de uma máquina de Super 8. Segundo o próprio, foi a falta de jeito do pai para as filmagens domésticas que desde cedo o atirou para detrás da câmara: «Desde miúdo que fazíamos campismo. Toda a família ia. Eu e as minhas irmãs adorávamos. Muitas vezes nem tendas levávamos. Dormíamos em sacos-cama, ao relento, a ver as estrelas. O meu pai gostava de filmar esses momentos, mas a verdade é que não tinha muita sensibilidade para a função. Por isso, logo a partir dos 12 anos assumi o lugar de realizador da família. Comecei a gostar de usar a imagem e passei a fazer pequenas realizações dos nossos passeios. As minhas irmãs ajudavam e a minha mãe estava sempre a incentivar-me.»
Foram as suas irmãs, por sinal, as primeiras atrizes desses filmes. Eram fitas de pequenas bobinas de 8 mm e pode dizer-se que a imaginação do rapaz já prenunciava outros voos. Numa dessas realizações pode ver-se o ataque de um animal à tenda de campismo. Nos fotogramas seguintes, convenientemente carregadas de ketchup, as manas Spielberg rebolam pelo chão. Porque se trata de Steven Spielberg, estas produções domésticas, às quais não faltavam os «efeitos especiais», são hoje documentos históricos. E por isso estão guardadas a sete chaves nos cofres do American Film Institute.
Confessa ter-se assustado ao mergulhar no escuro da sala de cinema quando foi assistir à projeção de um filme pela primeira vez. Tinha 5 anos. Pela mão do pai, foi ver O Maior Espectáculo do Mundo, realizado por Cecil B. DeMille. É com a recriação dessa memória que Os Fabelmans começa.
A AVENTURA DE UM PENETRA
Na escola, nunca figurou no quadro de honra. As médias escolares baixas foram decisivas, inclusive, para não ter conseguido entrar na universidade de cinema, onde tentou matricular-se por duas vezes. Contentou-se com um curso de língua inglesa numa universidade da Califórnia, mas foi congeminando uma estratégia para penetrar, literalmente, no mundo que sempre desejou. E acabou por fazê-lo, embora à socapa, pelo portão maior de um dos grandes estúdios de Hollywood. Como Os Fabelmans termina o relato de uma vida, no fim da adolescência, a história não consta do argumento, mas ele conta-a sempre que lhe pedem nas entrevistas, relata
a história que não é mesmo mito urbano de Hollywood.
«Ainda hoje não sei como me passou pela cabeça disfarçar-me de funcionário dos estúdios da Universal e andar por ali, comprei um passe de vários dias e lá entrei bem vestido, com uma pasta na mão, cheguei mesmo a ocupar um gabinete que se encontrava vazio. Nos primeiros dias ainda me perguntavam a que setor pertencia, mas depois já me conheciam. E o plano lá ia funcionando às mil maravilhas. Quando me descobriram, já eu tinha assistido à rodagem de algumas cenas de filmes como A Cortina Rasgada, de Hitchcock. Passei a maior parte do tempo nas salas de montagem e de dobragem. Tinha a sensação de estar na Disneylândia.»
Quando o apanharam, como é evidente foi expulso pela porta de trás, mas voltaria a entrar, dessa feita já com um contrato na mão. Um dos seus primeiros filmes foi Amblin (nome com que batizaria, mais tarde, a sua própria produtora), uma curta-metragem que conseguiu prémios em diversos festivais, entre os quais o de Veneza.
O diretor da Universal não perdeu tempo e propôs-lhe um contrato para o departamento de televisão. Com 21 anos, começou então uma carreira a sério, realizando episódios-piloto de séries de televisão que se tornaram famosas, de que é exemplo o policial Columbo, visto em Portugal na década de 1970, ou Night Gallery. Voltaria a realizar e a produzir televisão, muitos anos mais tarde, já depois da consagração planetária atingida com Amazing Stories.
Mais de metade dos 15 filmes mais rentáveis da história do cinema são dele: E.T., a trilogia de Indiana Jones, Encontros Imediatos do Terceiro Grau, Tubarão e os primeiros Parque Jurássico. Segundo contas recentes do Financial Times, a sua fortuna pessoal aumenta diariamente algo como 100 mil euros.
«Não sei explicar-lhe porque alguns dos meus filmes tiveram tanto sucesso. Nunca planeei alterar a minha visão das coisas e o modo de contar as minhas histórias só para alcançar este ou aquele público. Faço aquilo que quero fazer. E como gosto.»
UMA VISÃO DE FUTURO
Quando a Academia o consagrou, em 1994, com A Lista Schindler, o seu lugar na história do cinema estava definitivamente consolidado. Nesse dia, eu estava lá em reportagem, e cruzámo-nos no elevador que dava acesso ao palco do Shrine Auditorium. Ele segurava o Óscar como um miúdo que acaba de receber o brinquedo desejado. Estava nervoso e feliz. A pedido, simpaticamente deu-me um autógrafo, rabiscado ali mesmo na parede do elevador em movimento e a segurar a tampa da caneta com a boca. Voltaria à mesma festa dois anos depois para ganhar com O Resgate do Soldado Ryan. Dessa vez não nos cruzámos no elevador nos bastidores da cerimónia. Reencontrei Spielberg mais umas quantas vezes para entrevistas de promoção dos filmes, registo-lhe sempre o sorriso franco e partimos para a conversa, rapidamente porque o tempo é curto para tanta sabedoria e entusiamo de parte a parte e em dez minutos de entrevista não cabe tanta paixão pelos filmes. Ficou-me sempre aquela sensação de que podia passar um dia a ouvir as suas histórias. Cada filme tem sempre mil peripécias, alguns rituais de amizade como um brinde de champanhe no primeiro e no último take da rodagem.
Hoje já dá poucas entrevistas, é seletivo conforme a importância dos meios, continua a surpreender pelo entusiasmo e a clarividência de análise aos novos tempos da indústria. A propósito de Os Fabelmans, deu uma longa entrevista à revista TIME e ao jornal New York Times na qual se percebe bem a sua apreensão e cuidado de análise aos novos tempos e os caminhos que o cinema tradicional leva, cada vez mais digital, menos físico para sentir na mão o filme com atitude de cinéfilo colecionador.
«Começámos a acumular DVD de filmes em casa, tal como acumulávamos LP, como eu fazia quando era muito jovem. Bem... a minha coleção de filmes ultrapassou largamente a minha coleção de música. Mas hoje está tudo na nuvem e não temos mais espaço nas prateleiras para colocar os nossos filmes favoritos como parte do património cultural que nos inspirou a tornarmo-nos pessoas melhores e a encontrar valores que os filmes podem transmitir normalmente com mais rapidez que os próprios pais. Sinceramente, do que sinto falta é da cópia física. Sinto falta daquela relíquia que posso segurar na mão e colocar num leitor de Blu-ray. Mas talvez já seja um tipo antiquado. Tenho 76 anos. Sei como é ter a atitude de posse de algo que adoro. Sei como é ter, por exemplo, o LP da banda sonora de Lawrence da Arábia e, depois, anos mais tarde, ter mesmo o DVD do filme. Eu valorizo isso.»
Diz também que compreende e faz filmes (como produtor) para a distribuição em streaming sem passarem pelas salas de cinema. Uma nova realidade que pode estragar a magia mas permite outras oportunidades, mais público para uma obra que leva a história e a mensagem a muitas mais pessoas. Por isso, usa o exemplo do filme que realizou em 2017, The Post:
«Se me tivessem dado esse guião no pós-pandemia, não sei se teria preferido ter feito o filme para a Apple ou para a Netflix e tê-lo mostrado a milhões de pessoas. Era um filme que tinha uma mensagem, tinha algo a dizer a milhões de pessoas, e nós nunca íamos conseguir levar esses milhões de pessoas a salas de cinema suficientes para fazer esse tipo de diferença. Hoje as coisas mudaram o suficiente para me levar a dizer isso.»
PROTAGONISTAS DA HISTÓRIA
Quem assim fala vai aos Óscares e poderá até ganhar outra vez, não só porque expôs os segredos de família, a paixão da mãe e a sua descoberta do cinema com Os Fabelmans, mas essencialmente porque está naquele pequeno grupo de septuagenários, outros já para lá dos oitenta, uma mão-cheia de realizadores entusiasmados que reinventaram a indústria nos anos 70 do século passado – George Lucas, Scorsese e Coppola, entre vários, não muitos, os que revolucionaram o sistema e salvaram Hollywood. Entre todos eles, com mais ou menos qualidade Spielberg é o mais versátil e com produção mais constante e de tal forma variada que nas 50 longas-metragens que realizou estão aventuras como Indiana Jones, fantasias como Ready Player One – Jogador 1, ficção científica como Guerra dos Mundos, Relatório Minoritário, A.I. Inteligência Artificial e, claro, os clássicos E.T. e Encontros Imediatos do Terceiro Grau, mas cabe também no curriculum obras como Parque Jurássico, Hook, O Resgate do Soldado Ryan e a obra-prima A Lista de Schindler.
Por altura da estreia de Ready Player One – Jogador 1 numa conferência de imprensa fizeram-lhe uma pergunta curiosa e que eu sublinhei no meu bloco de notas para não esquecer. (Tenho o «vício» de sublinhar e guardar tudo o que leio e me agrada, ajuda sempre em futuras entrevistas.) Perguntaram-lhe porque ainda se encantava com os filmes. «Porque gosto de me perder. E de perder o controlo. E quanto melhor o filme, mais perco esse controlo. Consigo entrar no outro lado como uma personagem, é como um processo imersivo que adoro. Se tudo for bom o suficiente, esqueço quem sou e onde estou. Essa é a minha definição de uma grande história, aquela que se nos apresenta por dentro do ecrã.»
Há uma frase que me ficou dessa última aventura de ficção que realizou, Ready Player One: «Aceite a sua realidade ou lute por uma melhor.» Esta também a tenho anotada no bloco de todos os dias. Dá sempre jeito recordar ou citar os melhores. Estamos sempre a aprender.
Texto e imagem reproduzidos do site: www seleccoes pt
sexta-feira, 26 de junho de 2026
sábado, 20 de junho de 2026
sexta-feira, 19 de junho de 2026
quinta-feira, 11 de junho de 2026
Orlando Senna, referência do Cinema Novo, morre aos 86 anos
Publicação compartilhada do site G1 BA., de 9 de junho de 2026
Orlando Senna, referência do Cinema Novo, morre aos 86 anos
Baiano diretor de "Iracema – Uma Transa Amazônica", teve trajetória marcante no cinema brasileiro e ocupou cargos importantes na política cultural do país.
Por g1 BA
O cineasta, escritor, roteirista e gestor cultural baiano Orlando Senna morreu na tarde desta terça-feira (9), aos 86 anos. A informação foi confirmada por uma sobrinha do diretor, Indra Rocha, por meio das redes sociais. A causa da morte não foi divulgada.
Nome de destaque do cinema brasileiro, Orlando Senna ganhou reconhecimento nacional e internacional ao codirigir, ao lado de Jorge Bodanzky, o filme "Iracema – Uma Transa Amazônica" (1975), considerado um clássico e uma das obras mais importantes do audiovisual no país. O longa, que mistura ficção e documentário, retrata a realidade da região amazônica durante a construção da rodovia Transamazônica e chegou a sofrer censura durante o regime militar.
Nascido em 1940, em Afrânio Peixoto, distrito de Lençóis, na Chapada Diamantina, Senna construiu uma trajetória marcante no cinema e na cultura brasileira. Ele foi um dos nomes ligados ao movimento do Cinema Novo e conviveu com importantes figuras da cultura, como Jorge Amado, Gabriel García Márquez, Glauber Rocha, Chico Buarque, Hector Babenco, Geraldo Sarno e Ruy Guerra.
Em nota, a Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb) lamentou a morte do cineasta e destacou que sua atuação foi marcada pelo compromisso com a democratização da cultura, pela defesa do cinema nacional e pela valorização das narrativas brasileiras. (Leia nota na íntegra abaixo)
Carreira
Orlando Senna iniciou a carreira no audiovisual como assistente de direção de Roberto Pires no filme "Tocaia no Asfalto" (1962). Ainda na Bahia, dirigiu curtas-metragens e peças de teatro, com atuação na Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e no Centro Popular de Cultura.
No fim dos anos 1960, se mudou para o Rio de Janeiro, onde dirigiu seu primeiro longa-metragem, "A Construção da Morte" (1969). Além da produção cinematográfica, também teve atuação internacional, passando uma temporada em Cuba nos anos 1990, onde foi professor e diretor da Escola Internacional de Cinema e TV de San Antonio de los Baños.
Ao longo da carreira, também ocupou cargos públicos importantes. Foi subsecretário do Audiovisual da Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro durante o governo de Benedita da Silva, além de ter atuado como consultor de roteiro em diferentes projetos, como o documentário "Glauber, o filme – Labirinto do Brasil" (2004), de Silvio Tendler.
Em 2003, assumiu a Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura e, em 2007, passou a dirigir a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), onde participou da criação da TV Brasil. Ele deixou o cargo em 2008.
Com uma trajetória marcada pela produção artística e pela atuação na gestão pública, Orlando Senna deixa uma contribuição importante para o desenvolvimento do cinema e da cultura no Brasil.
Leia nota da Funceb:
"Hoje nos despedimos de Orlando Senna, cineasta, escritor, gestor cultural baiano e um dos mais importantes pensadores do audiovisual no país. Sua trajetória foi marcada pelo compromisso com a democratização da cultura, pela defesa do cinema nacional e pela valorização das identidades e narrativas brasileiras, sendo um dos nomes fundamentais do Cinema Novo. Ao longo de décadas, Orlando Senna participou de mais de 30 produções e contribuiu de forma decisiva para o fortalecimento das políticas públicas do setor e para a formação de novas gerações de cineastas. Seu legado permanece vivo em suas obras, em seu pensamento e na inspiração que deixa para a cultura do Brasil. Por meio da Diretoria do Audiovisual, a Fundação Cultural do Estado da Bahia manifesta profundo pesar por sua partida e solidariza-se com familiares, amigos, colegas e admiradores neste momento de despedida."
Texto reproduzido do site: g1 globo com/ba/bahia
quarta-feira, 10 de junho de 2026
quarta-feira, 27 de maio de 2026
Crítica | Bugonia (2025)
Crítica do filme "Bugonia", compartilhada do site PLANO CRÍTICO, de 27 de novembro de 2025
Será que ela é?
Por Luiz Santiago *
Refilmagem (com roteiro livremente adaptado) do filme sul-coreano Save the Green Planet! (2003), Bugonia parte de um princípio que diz muito sobre o cinismo constante de Yorgos Lanthimos em seu olhar para as pessoas e a sociedade, abarcando também o espírito de nossa época. Ou, talvez, o espírito que sempre dominou a nossa espécie: uma mistura de destruição, preservação, curiosidade e capacidade de se contradizer a curto prazo. O termo grego que dá título ao filme é um bom ponto de partida para aproveitar a obra, pois traz de uma crença mediterrânea a ideia de que as abelhas poderiam ser geradas do corpo morto de bovinos. Essa forma de biogênese, sob a crença de que vida poderia surgir de matéria morta, é um dos gatilhos que dispara as ações dos personagens centrais da fita, seja no mundo real (através da figura de uma empresária do ramo de químicos e fármacos), seja através do mundo das ideias, onde se destaca a teoria conspiratória de Teddy (Jesse Plemons) de que aliens da Galáxia de Andrômeda vivem entre os terráqueos e querem nos destruir.
Talvez possamos dizer que Bugonia é o “filme mais comercial” de Lanthimos, se considerarmos a linguagem, o humor mais fácil de digerir e a controlada exigência simbólica que a obra exibe, mesmo para quem procura neuroticamente por significados ocultos em cada frame. Após um começo lírico, com a apresentação das abelhas, seu papel e sua organização social e importância, o diretor nos apresenta, numa montagem paralela bem dosada, o cotidiano da CEO interpretada por Emma Stone (em performance intensa, dura, marcando com vigor a posição de respeito que ocupa) e de Teddy, um operário e apicultor amador, personagem com arco de construção largo e com aplaudível composição dramatúrgica de Plemons. Postas as situações iniciais, o roteiro vai temperando a temática fixa de interrogatório com humor ácido e macabro, intensificado os abusos físicos e psicológicos, ao mesmo tempo em que faz piada com a neurose coletiva, as teorias da conspiração, as dissonâncias cognitivas e as sérias questões psicológicas que esses indivíduos possuem.
A bizarra dualidade da pós-verdade é a linha de trabalho do roteiro de Will Tracy, reforçada o tempo inteiro pela direção enérgica de Lanthimos, que não faz estripulias visuais e se mantém numa abordagem estética mais comum, utilizando a trilha sonora potente e a montagem como reforço de uma atmosfera tensa, que vai evoluindo para um tipo de horror sanguinolento com pitadas de crítica social, expondo o drama de um indivíduo da classe trabalhadora, cuja família padeceu de doenças causadas ou não curadas pela próspera indústria farmacêutica de Michelle. Os traumas presentes e passados de Teddy, seu isolamento social e seus pesadelos que remetem àqueles do início de Oito e Meio fazem com que ele caia num buraco sem fundo de teorias amparadas por vídeos, artigos, podcasts e todo um arcabouço de “estudos” idiotizantes que o diretor trata esteticamente como tal, embora se dê o luxo de uma piscadela irônica para o contexto, brincando com o condicional nas entrelinhas (e se ele estivesse certo…?), enquanto faz o público rir nervosamente ao ver, em tudo isso, nuances da crise ecológica mundial (tem alguma coisa da sátira catastrófica de Não Olhe Pra Cima, não tem?) e a quase impossibilidade de mudança para a espécie, flertando com a extinção certa do Homo Sapiens.
O homem que se crê “herói solitário“, em Bugonia, é o homem que ajuda a acelerar a “morte das abelhas-operárias“, no fim das contas. Notem que, ao contrário de acusações vazias que alguém possa fazer ao diretor, sobre um possível endossamento das alucinações conspiratórias, o filme deixa claro que com ou sem o alienígenas, a existência de pessoas como Teddy põe em andamento uma roda imparável de atrocidades que, ao cabo, fazem (ou aceleram) exatamente aquilo que estavam tentando impedir. As revelações no decorrer da história são muito boas, tanto no aspecto verbal (“isso nunca tinha acontecido antes!“) quanto no aspecto visual, quando algumas fotografias e um certo cômodo da casa nos são mostrados. Mas há uma extensão desnecessária da piada/revelação da verdade, com cenas de pouca expressão na narrativa, fazendo com que a reta final do filme ganhe ares de anticlímax. Para Lanthimos, contudo, não há alternativa: tanto Michelle quanto Teddy são carrascos e vítimas, em diferentes posições, de um sistema que se alimenta de tipos distintos de violência, e que só existe criando, em uma única pessoa, a posição de prisioneiro-carcereiro, impedindo a tomada de uma posição ética viável e deixando claro que não há mais centrismo moral. Só há o horror, o sofrimento e a espera do fim, que não é uma possibilidade. É uma certeza.
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Bugonia (Irlanda/Reino Unido/Canadá/Coreia do Sul/EUA, 2025)
Direção: Yorgos Lanthimos
Roteiro: Will Tracy (baseado em roteiro de Jang Joon-hwan)
Elenco: Jesse Plemons, Aidan Delbis, Emma Stone, J. Carmen Galindez Barrera, Marc T. Lewis, Vanessa Eng, Cedric Dumornay, Alicia Silverstone, Stavros Halkias, Momma Cherri, Fredricka Whitfield, Rafael Lopez Bravo, Yaisa, Teneisha Ellis, Roger Carvalho
Duração: 120 min.
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* Luiz Santiago - Doutor em Psico-História. Especialista em Cronoanálise Aplicada e Metanarrativas. Corvino. Linguista-chefe e Simulador estratégico da Agência Alfa. Coordenador da mudança do eixo ontológico universal junto à Presença.
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Texto e imagem reproduzidos do site: www planocritico com
terça-feira, 26 de maio de 2026
sexta-feira, 22 de maio de 2026
Filme: "A Odisseia" (2026), de Christopher Nolan
quinta-feira, 21 de maio de 2026
sábado, 16 de maio de 2026
sábado, 9 de maio de 2026
Crítica do filme: "Iracema – Uma Transa Amazônica"
Crítica compartilhada do site VERTENTES DO CINEMA, de 25 de julho de 2025
Iracema – Uma Transa Amazônica
O Futuro é o passado
Por Vitor Velloso
Festival de Cannes 1976; Festival de Berlim 2025
Iracema – Uma Transa Amazônica
O grande clássico cult de Jorge Bodanzky e Orlando Senna, “Iracema – Uma Transa Amazônica”, agora de volta em 2025 aos cinemas e com distribuição da Gullane+, é mais um acerto das distribuidoras brasileiras, que têm apostado no relançamento de obras importantes da cinematografia nacional.
“Iracema – Uma Transa Amazônica” não é apenas um retrato das particularidades de um país subdesenvolvido e do desenvolvimento desse subdesenvolvimento — como acusava, em tom irônico, a Canção do Subdesenvolvido (1962), de Chico de Assis e Carlos Lyra, do CPC (Centro Popular de Cultura), que abre o gigantesco clássico “Cabra Marcado para Morrer” (1984), de Eduardo Coutinho —, mas é também uma obra que tensiona a ficção e o documentário na intenção de explicitar as diferentes formas de conceber um Brasil que se complexifica em suas relações sociais e econômicas. O filme provoca a discussão por meio do desejo, dos sonhos e das diferentes formas de opressão vividas por Iracema (Edna de Cássia), não só em seu convívio com Tião (o ator Paulo César Pereio), mas em todo o seu percurso.
O espectador mais desatento à estrutura semidocumental e aos dispositivos de tensão da própria forma cinematográfica pode vir a acusar o filme de esvaziamento moral ou de uma denúncia vã. Seja por descuido, seja por tentar constranger o discurso através de um prisma tão anacrônico quanto nocivo, deixa-se de perceber como o processo transforma todos os personagens em meros objetos, as situações em meros gatilhos e o cenário em um retrato sintético de um “progresso” mambembe, que liga pontos regionais e longínquos por interesse, criando a falsa sensação de um desenvolvimento nacional — seja este qual for. A rodovia se torna palco das histórias, de sonhos impossíveis, das relações agressivas e do ato de abdicar da dignidade para conseguir algo, independentemente das consequências e dos meios.
Dessa forma, quando “Iracema – Uma Transa Amazônica” se entrega à necessidade de particularizar essa representação na figura dos personagens centrais, toda essa miserabilidade moral aparece na própria encenação — direta, desajustada e consciente de sua falta de uma beleza estabelecida pelo cinema clássico, incluindo as bases referenciais estéticas vigentes na época.
É fascinante como “Iracema – Uma Transa Amazônica” pode ser julgado como uma obra do passado sob diversos aspectos que ainda estão presentes nos dias de hoje. Mas, sob seu aspecto político, social e econômico, não há necessidade de realizar nenhum tipo de atualização ou crítica à obra de Senna e Bodanzky — com a possibilidade de exceção apenas para a forma como podemos retratar as particularidades concretas de uma realidade tão pisoteada pelas facetas de um Brasil entregue ao imperialismo. Contudo, para realizar uma leitura mais ampla desse complexo cenário, a película teria de se distanciar da falibilidade explícita do projeto natimorto que dá ideia ao título do filme, com toda a ironia sexual. Dessa forma, o projeto é eficiente em estruturar sua base de representação sob um aspecto mais direto, sem a necessidade de discutir temáticas mais amplas de forma específica — ou seja, as argumentações em torno desse aspecto estão mais diretamente ligadas ao arcabouço do espectador do que à base propositiva da obra em si. O que, neste caso, acaba sendo um trunfo importante para o funcionamento do longa, já que a centralização da narrativa nesses dois personagens concretiza essa lupa consciente de suas próprias limitações.
Aliás, é nessa paisagem geográfica, política e histórica que “Iracema – Uma Transa Amazônica” soa como um retrato apocalíptico de todas as relações que se estabelecem — ou se encontram — na rodovia. Seja com a intimidade exposta em cemitério, com a negociação para transporte de carga ou com as idas e vindas de personagens sem um destino claro. Nessa dança fúnebre, cruel, desprovida de limpeza, que flerta com diversos elementos da pornochanchada, o filme se estabelece como um ciclo — não necessariamente entre o desespero e a esperança, como parte do projeto cinemanovista, mas como uma eutanásia social e moral, de seres e histórias que cruzam o longo traçado sintético da realidade nacional e de seu projeto falido.
De alguma forma, “Iracema – Uma Transa Amazônica” é perfeito para caracterizar o trânsito entre o cinema marginal e a pornochanchada, onde — não ironicamente — o trânsito é o movimento (anti)natural do longa, fincando na cultura cinematográfica nacional um dos emblemas dessa passagem de bastão.
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Título Original: Iracema - Uma Transa Amazônica
Lançamento: 30 de março de 1981; Relançado 24 de julho de 2025
Direção:Jorge Bodanzky e Orlando Senna
Elenco:Conceição Senna, Edna de Cássia, Elma Martins, Lúcio dos Santos, Paulo César Peréio
Duração: 1h30
Gênero:Documentário Drama Nacional
Nacionalidade: Alemanha Brasil
Sinopse:
Em 1970, durante as festas do Círio de Nazaré em Belém do Pará, um motorista de caminhão do Sul conhece Iracema, uma adolescente indígena prostituída. Ele lhe dá uma carona e, percorrendo a Transamazônica, toma consciência dos problemas da região.
Categoria: Críticas | Festivais | Festival de Berlim | Festival de Berlim 2025
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Texto e imagem reproduzidos do site: vertentesdocinema com
quinta-feira, 7 de maio de 2026
Doc: "Luis Fernando Verissimo - O Filme" (2023), de Luzimar Stricher
Luis Fernando Verissimo (2023)
Brasil (RS)
Longa-metragem | Não ficção
cor, 120 min
Direção: Luzimar Stricher.
Companhia produtora: Stricher Filmes
Primeira exibição: Gramado (RS), 51º Festival de Cinema de Gramado [12-18 ago]-Mostra Competitiva de Longas-metragens Documentais, Palácio dos Festivais, 18 ago 2023, sex, 17h30
Em seus últimos anos de vida, o escritor Luis Fernando Verissimo (1936-2025) foi tema de dois documentários com propostas diferentes. Verissimo (A. Defanti, 2024) mostra a intimidade do célebre intelectual às vésperas do seu aniversário de 80 anos. Já Luis Fernando Verissimo adota uma estrutura mais convencional e oferece um amplo painel sobre a sua trajetória profissional. A direção é de Luzimar Stricher, psicanalista e documentarista com produção voltada para cinebiografias de grandes nomes da literatura brasileira, entre eles Erico Verissimo (1905-1975), Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), Mario Quintana (1906-1994) e Manuel Bandeira (1886-1968). Este é o seu segundo documentário longo, depois de Arminda – A estética além da dor (2016).
O grande mérito da produção é dar voz a um personagem conhecido por sua timidez. Valendo-se de um extenso material de arquivo, o roteiro apresenta participações do protagonista em eventos diversos, como palestras em feiras do livro ou conversas diante de amigos, como Ruy Carlos Ostermann (1934-2025). Além disso, uma série de entrevistas gravadas com a equipe de Stricher também está presente, num processo conduzido ao longo de vários anos (de 2013 a 2019). Enriquecendo a proposta, aparecem ainda trechos de seus textos e charges para veículos de comunicação locais e nacionais, como Zero Hora, Folha da Tarde, O Estado de S. Paulo, O Globo ou a revista Playboy, entre outros. Estima-se que Verissimo tenha um total de 80 obras publicadas, abrangendo antologias de crônicas, romances, narrativas de viagens, literatura juvenil, infantil e cartuns.
Desse modo, o próprio Verissimo tem a oportunidade de contar a sua história para o público, revelando detalhes curiosos. Ele admite ter sido muito influenciado pela cultura norte-americana, em função do período em que morou nos Estados Unidos com a família. Entre San Francisco e Washington nasce sua paixão pela música, pelo cinema e pela literatura. Seus primeiros passos no campo cultural aconteceram por conta do jazz, dada sua habilidade com o saxofone. Sua posterior inserção em grupos musicais como o Jazz 6 é um dos pontos altos da narrativa. Apesar do talento, o próprio biografado afirma ter tido uma juventude errante, sem saber bem qual caminho seguir. O futuro incerto do filho gerava uma certa preocupação em Erico Verissimo, que tentou ajudá-lo empregando-o na Livraria do Globo, onde permanece pouco tempo.
A sorte de Luis Fernando começa a mudar quando ele decide passar um tempo no Rio de Janeiro, a fim de obter dinheiro para se mudar para o exterior. Os planos fracassam em função da vigarice do patrão (que sequer lhe pagava salários), mas a estadia no solo carioca faz com que ele conheça Lúcia Helena Massa, a mulher de sua vida. De volta a Porto Alegre, o casal começa a constituir família e a procurar emprego – nessa ordem. A partir de 1966, com 30 anos, Verissimo atua na imprensa porto-alegrense, finalmente encontrando-se com a sua vocação: o dom da escrita, em suas mais variadas formas. O filme conta como surgiram os seus inesquecíveis personagens – das Cobras à Família Brasil, do Analista de Bagé ao detetive Ed Mort, de Dora Avante até a Velhinha de Taubaté.
Completo, o documentário aborda temas caros aos fãs do autor, como o seu método de trabalho, suas obras favoritas, a esquecida passagem pela publicidade, a ligação com o time de futebol Sport Clube Internacional e a homenagem prestada pela escola Imperadores do Samba (no Carnaval 2014 de Porto Alegre). Destacam-se as falas de muitos amigos queridos de Verissimo, como o humorista Jô Soares (1938-2022), o desenhista Ziraldo (1932-2024), o cartunista Paulo Caruso (1949-2023), o diretor Jorge Furtado e o escritor Luís Augusto Fischer. Todos elogiam as qualidades do homenageado, e contam deliciosos relatos sobre a convivência entre si.
Texto reproduzido do site: www cinematecapauloamorim com br/portaldocinemagaucho
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sexta-feira, 1 de maio de 2026
Documentário: "Iracema - Uma Transa Amazônica"(1981)
Documentário: "Iracema - Uma Transa Amazônica"(1981), de Orlando Senna, Jorge Bodanzky
Sinopse
Iracema: Uma Transa Amazônica mescla documentário e ficção para contar a história de uma menina do interior, uma jovem garota indígena, que vai a Belém com a família para pagar promessa na festa do Sírio Nazaré. O novo meio e as companhias que encontra levam a menina à prostituição. Um dia, conhece num cabaré um motorista de caminhão chamado Tião Brasil Grande, negociante de madeira, que está maravilhado com o suposto "grande progresso" da Transamazônica. Influenciada pelas outras prostitutas, a jovem quer ir para os grandes centros (São Paulo e Rio) e pega carona com o caminhoneiro. Aos poucos, conforme os dois se conhecem melhor, também passam a confrontar a realidade nua e crua da grande rodovia que atravessa a floresta. O que está por trás desse milagre econômico é um cenário de devastação, grilagem, exploração sexual e outras diferentes infrações e violências esquecidas em prol do desenvolvimento.
Fonte: www adorocinema com
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